Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Cada dia que passa é mais difícil comer na Europa. Há sempre algum bichinho que tem uma doença, um legume que tem um funguzinho ou uma fruta com as medidas erradas. Nos anos noventa, vocês eram muito novos, a doença das vacas loucas provocou o pânico entre os carnívoros europeus. Naquela altura muitos dedicaram-se saudavelmente a comer leitõezinhos ou até galhinhas. Passou o tempo, e todas essas pessoas que tinham mudado os seus hábitos alimentares descobriram que as aves também não eram bichos que se comessem. Parece que tinham excesso de fosfato ou algum químico igualmente desagradável. Felizmente tínhamos os leitões e parecia que as vacas já não estavam doidas. Outra vez a mudar até que encontraram vacas com febre aftosa. Mais uma vez, recorremos ao leitãozinho. Entretanto, as aves já estavam quimicamente normais e o franguinho voltou a fazer parte das nossas vidas. Tudo em vão. A China começou a exportar a gripe das aves. Ciao, franguinho, olá leitão. Pouco a pouco, recomeçámos com a carne e a vaca. A febre aftosa já tinha passado à história. Há poucos dias, a bendita Comissão Europeia anunciou que os porcos da Irlanda têm dioxinas. Apesar de parecer um nome de um desodorizante, a Dioxina faz mal. Deixamos os leitões e voltamos à vaca e às aves. Agora os chatos da Comissão também descobriram que as vacas irlandesas podem estar contaminadas com a mesma Dioxina dos porcos. Olá, frangos. E assim sucessivamente, para o resto das nossas vidas carnívoras. Não sou um adepto das teorias de conspiração, mas temos de concordar que estes anúncios são importantes para o mercado da carne e afins. A ideia de sermos manipulados para compensar excessos de produção de bichos não me parece descabelada. No fundo, prefiro que seja assim. É preferível sermos manipulados pelo mercado a sermos envenenados por culpa da incompetência da cuja dita Comissão Europeia. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:23
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