Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2008

Aconteceu um pequeno episódio partidário que julgo merecer uma breve reflexão. Marco António Costa, líder da distrital do PSD do Porto afirmou estar contra a possível nomeação de Pacheco Pereira como cabeça de lista para as eleições europeias, pois “provocaria divisões insanáveis dentro do partido”. Marco António, que, diga-se de passagem, devia ter optado ou por Marco ou por António, mas nunca por ambos, é um dirigente activo daquele partido mas do lado contrário a Manuela Ferreira Leite. Pacheco Pereira, além de ser um estimado colega meu, é a eminência parda de Manuela. É normal que a actual dirigente do PSD escolha uma pessoa da sua confiança para o cargo que lhe apeteça. Não vou falar agora da importância que tem ou não ser deputado europeu. O que importa por agora é que se trata de um cargo que obriga a estar fora do país frequentemente. Marco António poderá ter-se inspirado no general Sun-Tzu, que escreveu a Arte da Guerra. Disse pela primeira vez aquilo que todos agora sabem: manter os amigos perto, mas manter os inimigos ainda mais perto. Mas naquela altura a União Europeia não existia. Senão, Sun-Tzu teria acrescentado: “a não ser que os inimigos possam ser eleitos para o Parlamento Europeu”. Marco António é um dogmático sun-tzuiano e isso faz mal a tudo. A outra explicação possível é que tenha pensado no salário de um deputado europeu, nas viagens, nas estrangeiras, que não devem faltar naquelas terras, e todas essas coisas glamourosas. Mas com certeza não pensou bem. Se não teve em conta o bem do partido, também não teve em conta o bem da sua facção anti-Manuelista. Por outro lado, fazer política também é negociar. Se Santana Lopes vai para Lisboa, é justo que Pacheco vá para a Europa. Ainda por cima, o que poderá o Pacheco aprender na Europa? Nada que o Pacheco já não saiba. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:39
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