Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Finalmente há justiça neste país. A Autoridade da Concorrência acusou a Associação dos Industriais de Panificação de Lisboa de trocar informações sobre preços de venda de pão ao público com o intuito de “fixar ou interferir na sua determinação pelo livre jogo do mercado”. Este tipo de práticas chama-se cartel, que é a formação de preços iguais entre várias entidades que supostamente deviam concorrer entre si. Eu já sabia que os padeiros eram uns grandes bandidos. Era hora que os temíveis especuladores fossem apanhados. Porque é que não aprendem duma vez por todas a seguir disciplinadamente e sem serem gananciosos os preços fixados no mercado internacional? Agora já sabemos porque é que os padeiros não seguiam o bom exemplo das companhias gasolineiras. Essas sim acreditam no mercado e na livre concorrência. Bem-haja a Autoridade da dita cuja. Quinze cêntimos a carcaça com o litro do gasóleo a descer? Que pouca vergonha. Se não fosse a eficiência do Manuel Sebastião, presidente da AdC, isto era uma anarquia. Iam todos aproveitar o novo ano para fazer os seus “ajustes tarifários”. Em Janeiro, a EDP aumentava a electricidade e o gás, e a Epal, a água. As Finanças iam cobrar multas por da cá aquela palha ou dá cá aquele formulário, e assim por diante. Felizmente, temos a Autoridade da Concorrência a zelar por todos nós. Portugal pode chegar a ser um bom lugar para viver. Hoje os padeiros, amanhã a mercearia da esquina ou talvez os trabalhadores da Higiene Urbana. Graças à Autoridade da Concorrência os dias dos usurários e dos exploradores do povo português estão contados. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:34
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