Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008

Um juiz iraquiano anunciou que o processo contra o jornalista Muntader al-Zaidi, que lançou os seus dois sapatos contra George W. Bush, está marcado para 31 de Dezembro. Muito se tem falado deste incidente e agora que já estamos muito mais calmos e superámos o trauma da sapateada, podemos fazer um balanço do incidente. Para já, e sem menosprezar a dor do presidente Bush, é unânime afirmar que mais vale que nos atirem sapatos do que uma bomba. É sem dúvida mais civilizado embora não queira estar nos sapatos de Zaidi, tendo em conta a utilização que o homem dá ao calçado. Agora, este jornalista iraquiano tornou-se um herói não só nacional como também de quase todos os árabes, coisa que acho totalmente injusta. Então de que vale andar por aí a rebentar-se com explosivos? Os suicidas agora são maricas? Sic transit gloria mundi, que em árabe significa: hoje rebentas com quarenta pessoas e amanhã ninguém se lembra de ti. É triste, mas o público esquece depressa os seus mártires. Claro que pode acontecer o mesmo a Zaidi e ser substituído nos corações dos árabes por um qualquer outro contestatário sem sapatos ou com bomba, ou ambas coisas ao mesmo tempo. Talvez por isso ele próprio se prepara para processar as autoridades iraquianas por maus-tratos. Talvez para fazer durar um pouco mais o seu momento de fama. Pediu desculpas ao primeiro-ministro iraquiano mas afirmou que nem que o cortem em pedaços se vai desculpar a Bush. O que eu acho um exagero porque não é proporcional. Atirar sapatos e cortar um homem em pedaços não fazem parte do mesmo filme. Coisa que me faz pensar que os árabes são uns trágicos do caraças. Ele devia ter dito que nunca pediria desculpas, nem que todos os republicanos americanos lhe atirassem os sapatos à cabeça. Assim daria a devida dimensão do seu acto. Mesmo assim vários milhares de pares de botas Timberland podem ser bastante mais parecidos com uma bombinha de fraca potência. Mas menos humilhante que um par de sapatos feitos em Turquia e, porém, mais doloroso. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:10
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