Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Ontem foi notícia os salários de diversos futebolistas que ganharam na época passada mais de dois milhões de euros. A imprensa, que publicou esta notícia aproveitou a boleia e publicou a lista dos jogadores mais bem pagos do futebol nacional. Vou deixar de lado as considerações sobre a inveja revelada pelos divulgadores desta notícia. A primeira pergunta que me vem à cabeça é a seguinte: qual é o interesse de saber quanto ganha um futebolista? Que no futebol há gente que ganha muito é um facto tão conhecido como se ganhar nas actividades privadas, na maior parte das vezes, muito mais que no sector público. Divulgar estes montantes só pode ter como objectivo chatear os que ganham menos ou sugerir alguma estratégia obscura da parte dos clubes ou a sua ganância. Tomemos como exemplo os dois jogadores que ganharam mais na época 2007/8. Quaresma ganhou 2.135.224,91 e Nuno Gomes ganhou 2.040.711,78. Com esses valores é normal que os respectivos clubes tivessem algum objectivo financeiro. Parece claro que o Porto este ano tinha duas hipóteses: vender ou vender Quaresma para compensar. E, claro, vendeu-o. O Benfica pagava esse salário ao Nuno Gomes para, suponho eu, ficar no clube. O que nos indicam estas conclusões? Que, em primeiro lugar, o Quaresma e o Nuno têm ambos excelentes agentes. E, em segundo lugar, que o Porto é um clube que sabe fazer negócio e o Benfica sabe como criar uma mística. Uma mística cara, a meu ver. Mas quem sou eu para julgar o preço da mística? Eles saberão. Se observarmos os números mais de perto, suscitam-nos algumas dúvidas legítimas. Os dois milhões que receberam são finalizados com 224 euros e 91 cêntimos para o Quaresma. Para o Nuno Gomes, restam 711 euros e 78 cêntimos. Números que não incluem os impostos. Se por um lado me parecem ridículos os 224 e os 711 euros, ainda me parecem mais absurdos os 91 e 78 cêntimos respectivos. Como se chegam aos cêntimos quando se pagam milhões? Talvez algum imposto de selo ou o preço do papel do contrato ou sei lá o quê. Mas que fiquei fixado nestes cêntimos, lá isso fiquei. Pelo menos aprendi que se fizermos um contrato dessa envergadura temos de levar troco. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:36
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