Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

Esta obrigação de escolher a personalidade do ano é cá um problema. Tudo quanto é meio de comunicação, figuras famosas ou gente anónima é capaz de escolher. Para mim é um pesadelo. Podia escolher uma personalidade nacional e até uma internacional por dia. Mas escolher uma que se tenha distinguido acima de todas durante um ano, perece-me, além de injusto, impossível. Há que considerar que as pessoas têm memória curta, e é bom que assim seja. Quem se lembra dos primeiros meses de 2008? Todos tendemos a lembrar-nos só dos últimos meses. O ser humano não é rancoroso. Ou melhor, os ódios e até a admiração têm um prazo de validade. Por exemplo, já ninguém se lembra do lockout dos camionistas nem quando as pessoas julgavam que o que estavam a fazer era uma greve das antigas. Outro exemplo pela positiva: Sarkozy. Todos acham que ele é o máximo porque fez uma grande presidência da união Europeia. Pois nunca me esqueci dele. E tenho documentos que provam que já há um ano que falo da minha admiração por ele. Não precisei de o ver na presidência europeia para nada. Desde que sendo presidente, se divorciou para depressa engatar, casar e educar Carla Bruni, por mim já fez história. Sem dúvida a personalidade do ano para a próxima década. Para compensar, o nosso primeiro-ministro não terá tido melhor sorte mas é uma das personalidades mais bem vestidas do ano. Sarkozy, mesmo a viver em Paris, é um farrapo ao lado do nosso Sócrates. Em Portugal decidirmo-nos por uma personalidade do ano é muito mais difícil que, sei lá, nos Estados Unidos. Para eles, é fácil, é tudo em grande: têm o Obama. Nós temos o Manuel Pinho, o Mário Lino e o Menezes. Uma escolha difícil. Eles têm o Phelps, que ganhou oito medalhas. Nós temos o Nelson Évora, que ganhou uma e o Madail, que não ganhou nada. É duro decidir. Eles têm o Madoff que os defraudou em cinquenta mil milhões de dólares. Nós temos apenas o BPN e o BPP. Demasiado pelintras para serem nomeados. No entanto, temos uma figura que eles não têm: quem é o homem que travou a subida do Euribor e dos empréstimos bancários em Portugal? Quem é ele? Quem é ele? O homem mais bem vestido de Portugal. O nosso José Sócrates. Sem dúvida nenhuma a personalidade do ano. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:45
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