Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

Uma notícia veiculada este fim-de-semana pelo Expresso, que denunciava dois ex-administradores da Caixa Geral de Depósitos que se tinham reformado por invalidez e trabalhavam agora em grupos financeiros e empresariais, provocou muita indignação. Este tipo de notícias faz vir ao de cima o que de pior há nos seres humanos. O raciocino é simples: eles ganhavam muito bem, a reforma por doença deve ser excelente e ainda por cima continuam a ganhar ainda mais com os seus novos trabalhos. Inválidos, o caraças! Pensamentos destes levaram a que a Revolução Francesa utilizasse a guilhotina com assiduidade e isso não se faz. Para mim, a atitude condenatória para estes ex-administradores é uma prova da falta de fé na humanidade. Começámos por não acreditar nos políticos. Depois foi a falta de confiança no sistema judiciário. Agora achamos que estes ex-administradores não são mais que um par de grandes vigaristas. Acredito que até podem ser, mas não é assim tão claro como isso. Segundo afirma o mesmo semanário na última linha do artigo, os administradores invocaram motivos de saúde de ordem psicológica para obter a reforma. Isto significa que se são aldrabões também os responsáveis da reforma, os psicólogos da Caixa, também foram mentirosos ou, no melhor dos casos, incompetentes. Para mim, é muita gente metida ao barulho. Confio na veracidade dos motivos de saúde, mesmo que sejam psicológicos. E confio tanto que até tenho pena que tenham sido divulgados pela imprensa. Imagino o mau ambiente nos seus novos trabalhos. Logo quando entram no escritório vão ouvir murmúrios do estilo: “Olha, acabaram de entrar os maluquinhos da Caixa”. Ou quando derem uma opinião ou tomarem uma decisão, vai ouvir-se um “cuidado que o gajo não regula bem. Foi reformado pela Caixa”. É por isto que penso que o Expresso foi cruel e com a sua precipitada notícia arruinou a vida de pessoas que, embora com deficiências psicológicas, ainda podem dar um contributo à sociedade. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:19
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