Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

O presidente do Conselho de Administração do Hospital S. João, António Ferreira, afirmou numa entrevista que queria instalar um sistema interno de televisão nas consultas dos médicos para vigiar a sua produtividade. O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, acha que esta medida “viola profundamente os direitos humanos”. Não posso estar mais de acordo neste ponto com o senhor bastonário. Só a ideia de o meu exame anual de próstata ser televisionado me arrepia. Já para não falar da assustadora possibilidade de algum engraçadinho o colocar no YouTube. E nem quero pensar no departamento dos ginecologistas. Já temos de suportar que essa gente apalpe lugares nunca antes imaginados das nossas mulheres. Agora vamos viver no receio de que algum tarado na calada da noite desfrute de certo vídeo numa qualquer sórdida sala de um hospital com a desculpa de que está a verificar a produtividade dos médicos. Tenho a certeza de que haverá formas mais discretas e cristãs de vigiar a tal eficiência profissional. Por outro lado, a proposta do bastonário da Ordem dos Médicos de abrir processos disciplinares a quem se deixar filmar nas consultas” parece-me injusta. Que culpa teriam eles se o director do Hospital os obrigasse a tal coisa? Não percebo por que razão o bastonário não faz o que qualquer português normal faria quando não gosta duma ordem: a democrática e preventiva medida cautelar. Esta acção já superou em popularidade a contratação duns tipos para intimidar primeiro e logo partir uma perninha ao sacana que não respeitou os nossos legítimos direitos à privacidade e afins. Mas abrir processos disciplinares aos empregados por cumprirem ordens do patrão não é de homem. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:25
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