Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

Esta semana que termina foi muito numérica. Quer dizer, os números marcaram as notícias. Como é evidente não estou a falar de números de mortos no conflito israelo-palestiniano nem dos acidentes de viação no período pós-ano novo. Estes são números mais habituais. Estou a falar dos números que preocupam, certamente de uma maneira egoísta, as pessoas. É a Economia, pá. A macro, a micro e a nossa. A semana começou com a Toyota que, por causa da queda das vendas, suspendeu a produção durante onze dias nos meses de Fevereiro e Março. Sem dúvida é um exemplo para todos nós. O melhor é não trabalhar alguns dias que ficar sem emprego para o resto das nossas vidas. Daqui uma aleluia para os japoneses da Toyota. Outro número: a taxa de inflação na Zona Euro caiu para um vírgula seis por cento. Mais coisa, menos coisa, os beneficiados com este resultado são todos aqueles que ganham em euros e vivem em África, na América, na Ásia e em todos os outros países fora da Zona Euro, à excepção da Suiça e da Suécia. A minha aleluia para todos esses afortunados que gastam longe de nós mas ganham como nós. Mas um numerozinho: o poder de compra dos funcionários públicos pode aumentar em um vírgula nove pontos neste ano. Bem-haja para todos os funcionários públicos do nosso país, pois muitos tiveram de sofrer para conseguir esta vitória. A minha aleluia para todos eles. O Banco de Portugal prevê para este ano uma recessão de zero vírgula oito. Este é um número incerto. Já temos a experiência do tempo que precisa Vítor Constâncio para chegar a um número definitivo. Por isso não aconselho a deitar foguetes. Zero vírgula oito é mau, mas ainda pode ser pior. Com certeza Constâncio vai apurar um número mais ajustado à realidade de 2009 mais lá para a frente. Em Novembro, talvez, e que será ainda mais assustador. Obviamente, seja o número qual for, é mau para todos. Excepto para a Toyota que está longe e para os portugueses que trabalhem cá mas vivam longe. A minha aleluia para estes exilados da crise. Pergunto-me se algum deles terá um quartinho para me receber a mim e à minha família. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:16
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Comentários:
De ana cristina leonardo a 11 de Janeiro de 2009 às 05:09
Pergunto-me se algum deles terá um quartinho para me receber a mim e à minha família.

ri-te. ri-te. estou a pensar seriamente em alugar uns quartinhos... (sorte a minha, que tenho casa grande)ou usar a pastelaria para pôr um anúncio de emprego... fora isso, tudo bem.


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