Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

A palavra de ordem é combater a crise. O Presidente da Nação apelou a todos os partidos que se concentrem para vencer a recessão. Embora não tenhamos ainda percebido, a coisa está difícil. Bem tentou o nosso primeiro-ministro poupar-nos à má notícia. Mas a União Europeia não admitiu que Portugal tivesse uma economia mais sólida do que a Alemanha ou o Reino Unido. Sócrates teve de fazer de conta que a crise mundial incluía Portugal. Cá entre nós, é mentira. Mas temos de fazer género e dissimular a nossa prosperidade. O Presidente entrou no jogo e apelou a que os partidos se dedicassem a combater a recessão. Conteve-se para não se rir. Não é para menos. Com o défice controlado quem tem medo do desemprego? Só os operários holandeses. Julgo que é o momento de nos unirmos e entrarmos nesta ficção, quanto mais não seja para não deixar Sócrates ficar mal visto na Europa. Devíamos assumir em público que nada nos importa mais que a crise. Se um taxista faz uma manobra perigosa, em vez de lhe lembrar de quem é filho devemos gritar: concentra-te é na recessão, cidadão! Se o Moreira do Benfica faz um frango, todos no estádio devem reclamar: deixa lá a bola e controla a crise, pá! Se os militares não querem içar a bandeira dos Açores, qual bandeira, qual carapuça! Salvem mas é o BPN. Devemos também acabar com as distracções parlamentares. Qualquer lei que não inclua o problema financeiro que vivemos deve ficar para trás. Casamentos gays, eleições autárquicas, parlamentares e europeias no mesmo dia. Por amor de Deus, o que tem isso a ver com a dívida externa? Concentrem-se na crise, porra! Até que não superemos o problema económico, nada interessa, nem mesmo as namoradas do Ronaldo. Ora aqui está um bom problema de concentração. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:00
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