Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Lembrei-me das aventuras de Tintin. Tintin no Congo, Tintin no País dos Soviets, Tintin Na América e todas essas histórias que li em criança e me aborreceram de morte. Tive esta regressão quando vi Oliveira e Costa a entrar na Assembleia da República. Como qualquer português que julga que a sua vida não é suficientemente compreendida, o financeiro vai com certeza escrever as suas memórias e espero que aproveite esta sugestão. Oliveira e Costa no País dos banqueiros, Oliveira e Costa em prisão preventiva, Oliveira e Costa vai ao Parlamento e assim por diante. Mas claro que para ser um sucesso comercial, o homem tem de contar alguma coisa interessante. Tudo indica que o antigo líder do BPN não é lá muito comunicativo e é totalmente compreensível que assim seja. Todos sabemos que as comissões parlamentares servem para pouco, sobretudo as comissões de inquérito. Todos nos lembramos do fracasso da investigação às empresas gasolineiras, para citar o exemplo mais recente. Podemos começar com Camarate, para citar o primeiro exemplo de rotundo fracasso. Agora a ida de Oliveira Tintin e Costa ao Parlamento superou todas as expectativas. O homem está para ser julgado, quem em nome de Deus podia esperar que dissesse alguma coisa? Maria de Belém? O Bloco de Esquerda, que confiava que Tintin e Costa cumprisse o seu dever de bom cidadão? O homem está a ser investigado por fraude e abuso de confiança, caramba. Quem no seu juízo vai falar, revelar ou incriminar-se perante um grupo de deputados que só estão a pensar nas próximas eleições? Nem Tintin, o autêntico, o belga, muito menos o nosso, o tuga. O mais maravilhoso de tudo isto é que muitos deputados saíram desapontados da sala do não inquérito. Não são tão queridos? Até havia um que se lamentava que tivesse sido à porta fechada. Se calhar julgava que com público Oliveira Tintin e Costa podia entusiasmar-se e declarar-se culpado de tudo. Mesmo da inutilidade da comissão de inquérito. Juro que sou democrata e acredito no sistema parlamentar. Mas não confio em totós. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:14
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