Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008
Há um novo conceito estatístico no governo. A fórmula é se um organismo faz x procedimentos, é muito provável que pelo menos x menos um corram mal. A primeira vez que ouvi esta fórmula foi quando o director da ASAE, António Nunes, disse à comissão parlamentar, que era natural que sendo tantas as intervenções feitas por aquele organismo algumas fossem menos correctas que outras. Poucos dias depois ouvi o Ministro da Saúde, Correia de Campos, afirmar "que o INEM recebe 4500 chamadas por dia e podem nem todas correr bem". Oficialmente não foi dito, mas o Ministro das Finanças reconheceu que nem todos os processos de dívidas dos contribuintes foram executados com rigor. O mesmo acontecia com os reembolsos do IRS. Ao ouvir estes desabafos sinceros e doridos percebi finalmente aquele conceito do socialismo de face humana. Os nossos governantes reconhecem o erro e ainda por cima sofrem. Como dizia Clinton, (en inglês, claro): "Sinto a vossa dor". É lindo e comovedor. Faz-me lembrar a uma namorada que tive. Sempre que me fazia uma sacanice, voltava lavada em lágrimas, a contar-me e a pedir desculpas. Eu, carinhoso como sempre fui, acariciava os seus cabelos e dizia-lhe: "Não te preocupes, meu amor, das x vezes que fizemos amor, é normal que pelo menos x menos uma, te tenhas enganado". O amor, não é bonito?


Publicada por Carlos Quevedo às 23:25
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Comentários:
De Carlos Quevedo a 30 de Janeiro de 2008 às 18:49
Não se preocupe, cara Meditação. As minhas obsessões duram pouco.


De Ana Cristina Leonardo a 30 de Janeiro de 2008 às 10:51
Começo a notar aqui uma certa obsessão cabalística pelos números.
Como me interpelou referindo-se directamente ao 0,666, chamo-lhe a atenção para esta definição da Wiki:
«Obsessão, para a Doutrina Espírita, designa toda uma gama de interferências que um espírito (encarnado ou desencarnado) exerce sobre outro, de forma negativa e em graus variados. Consiste na interferência negativa de uma vontade dominante sobre uma vontade subjugada.»
Todo o cuidado é pouco, Sr. Comentador! Todo o cuidado é pouco.


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