Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Tivemos muita actividade política nestes dias e, sinceramente, não sei por onde começar. Todos os líderes partidários que trabalharam no fim-de-semana fizeram muito bem o que tinham a fazer. Portas portizou e o congresso do CDS foi como ele quis. Ferreira Leite ferreiraleitizou e atacou o Governo como todos os pachecos querem que ela ataque. E Sócrates socratizou com a ajuda do António Costa e até deu a surpresa de propor não só a legalização do casamento entre os homossexuais como também a garantia do direito à adopção. Isto foi para que os bloquistas e os comunistas aprendam a fazer propostas de casamentos gays como deve ser. Só espero que o nosso grande Cardeal Patriarca também explique aos jovens gays portugueses os perigos do casamento com muçulmanos. Julgo que com São Sebastião já temos mártires gays suficientes. Mas o que mais me impressionou foi Manuela Ferreira Leite com sua acusação de “coveiro da Pátria” ao senhor primeiro-ministro. Logo Manuela, que é um exemplo de sobriedade e moderação. Isto é no que dá estar o tempo todo em cima da Manuela, salvo seja, a pedir-lhe que seja mais contundente e que fale mais ao povo e menos aos intelectuais. Conselho sensato, até porque no PSD os últimos não abundam. No entanto, este impropério é típico das pessoas que pouco falam e quando falam, falam com calma e aparente serenidade. No fundo, são como as pessoas que se irritam por tudo e por nada. A diferença é que depositam as suas pequenas raivas num banco algures no inconsciente. Como qualquer banco, mesmo que inconsciente, acumula juros. Quando o depositante das pequenas raivas decide levantar o capital depositado, encontra, em vez de muitas e pequeninas raivas, uma grande cólera acumulada e de repente sai-se com uma invectiva destas. Seu coveiro! exclama Manuela descontrolada. O destinatário do tal colérico impropério é apanhado de surpresa. E também aqueles que elogiavam a sua serenidade. O que nos lembra que qualquer ser humano é um mundo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:24
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