Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

A tomada de posse de Barack Hussein Obama foi entusiasmante e esclarecedora. Foi entusiasmante porque em geral gosto de todas as tomadas de posse. O autêntico democrata não só deve aceitar a decisão popular como deve, pelo menos por um tempo razoável, apoiar com paixão o novo líder eleito. Neste caso, o regozijo é maior porque de facto já ninguém, nem sequer os pais dele, podia ver o Bush filho. Não tanto por ser o mau presidente que todos agora afirmam ter sido, mas por não cumprir quase nada daquilo que prometeu. Mas voltando a Obama, a cerimónia foi um êxito de bilheteira. Dois milhões de pessoas presentes. Ainda bem que combinaram não aceitar perguntas de ninguém. Imensos convidados que saem nas revistas sérias e muitos ex-presidentes. A cerimónia foi para mim também esclarecedora. Para começar, Obama tem muita pinta. É uma mistura de jogador de basquete com seminarista despachado. O homem fala um inglês muito mais claro que Bush. O seu sotaque queque e texano foi um desafio para os meus anos de Oxford vividos juntamente com tantos intelectuais portugueses agora ilustres. Obama, por sua vez, articula bem as palavras, ao contrário de Bush e dos meus colegas de Oxford. Tendo em conta estes factores, concluo que Obama é mais trabalhador que Bush, mais concentrado que Clinton, mais jovem que Bush pai e uma criança comparado com Reagan. O seu primeiro discurso como presidente foi criticado por não ter nada de muito original a não ser ter-se referido às suas origens e à cor da sua pele. É impressionante que muitos comentadores só agora tenham percebido que Obama é preto. Também me surpreendeu que os nossos desiludidos analistas afirmassem que o discurso de Obama podia ter sido dito por qualquer outro presidente americano e por isso tinha sido desinteressante. Outros ouviram mensagens subversivas escondidas numa linguagem institucional. O discurso de Obama foi o que devia ser. Nem mais nem menos. Estes analistas não percebem que a essência da democracia não é só o povo escolher o governante. É também que o governante não escolha o povo. Foi por isso que Obama, tal como os seus antecessores no cargo, discursou para todos. Planeta terra incluído. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:01
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