Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Na ilha de São Miguel um homem contrariado porque a namorada acabou com o namoro foi munido de um martelo ao sítio onde a sua já ex- trabalhava e deu-lhe várias pancadas que lhe causou a morte. Logo a seguir foi a casa da sua ex e já defunta namorada e pegou-lhe fogo. O julgamento terminou esta semana e o Tribunal de Ponta Delgada condenou-o a quatro anos e dois meses de prisão com pena suspensa. Nada mau para um homicídio com fogo posto incluído. O Tribunal de Ponta Delgada chegou a esta sentença porque o arguido mostrou arrependimento, pediu perdão e porque não foi provado que tinha intenção de matar. Eu acho que pedir perdão e arrepender-se são coisas muito bonitas. Deve ser tido terrível para ele desculpar-se ante a família que com certeza conhecia há muito tempo. Ponta Delgada é pequenina. Imagino que o senhor doutor juiz deve ter admirado a integridade do pobre homem abandonado. Sobretudo tendo em conta que nos nossos dias ter vergonha não é um sentimento muito espalhado. Além do mais, o homem não podia saber que batendo com um martelo várias vezes numa mulher, suponho que robusta, podia provocar-lhe um prejuízo tão sério como, sei lá, matá-la? Ele só deve ter querido só magoá-la um bocadinho. Vá lá, até talvez para aleijar e tudo, só para que não se esquecesse que não se deita fora um homem só porque sim. Deitar fogo à casa, isso concordo que foi demais. Podia ter magoado ou queimado algum vizinho. Nesse caso em vez de quatro anos, teria tido cinco anos de pena suspensa. O homem estava, de facto, fora de si. Também é possível que se não sabia o que podia acontecer com o martelo também não soubesse o que podia causar com um bidão de gasolina e um fósforo muito pequenino. Agora este julgamento prova que todas as pessoas estão enganadas. Não é verdade que nos tribunais portugueses só se safem os ricos. Em Ponta Delgada temos um bom exemplo de que os pobres também se safam. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:13
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