Na ilha de São Miguel um homem contrariado porque a namorada acabou com o namoro foi munido de um martelo ao sítio onde a sua já ex- trabalhava e deu-lhe várias pancadas que lhe causou a morte. Logo a seguir foi a casa da sua ex e já defunta namorada e pegou-lhe fogo. O julgamento terminou esta semana e o Tribunal de Ponta Delgada condenou-o a quatro anos e dois meses de prisão com pena suspensa. Nada mau para um homicídio com fogo posto incluído. O Tribunal de Ponta Delgada chegou a esta sentença porque o arguido mostrou arrependimento, pediu perdão e porque não foi provado que tinha intenção de matar. Eu acho que pedir perdão e arrepender-se são coisas muito bonitas. Deve ser tido terrível para ele desculpar-se ante a família que com certeza conhecia há muito tempo. Ponta Delgada é pequenina. Imagino que o senhor doutor juiz deve ter admirado a integridade do pobre homem abandonado. Sobretudo tendo em conta que nos nossos dias ter vergonha não é um sentimento muito espalhado. Além do mais, o homem não podia saber que batendo com um martelo várias vezes numa mulher, suponho que robusta, podia provocar-lhe um prejuízo tão sério como, sei lá, matá-la? Ele só deve ter querido só magoá-la um bocadinho. Vá lá, até talvez para aleijar e tudo, só para que não se esquecesse que não se deita fora um homem só porque sim. Deitar fogo à casa, isso concordo que foi demais. Podia ter magoado ou queimado algum vizinho. Nesse caso em vez de quatro anos, teria tido cinco anos de pena suspensa. O homem estava, de facto, fora de si. Também é possível que se não sabia o que podia acontecer com o martelo também não soubesse o que podia causar com um bidão de gasolina e um fósforo muito pequenino. Agora este julgamento prova que todas as pessoas estão enganadas. Não é verdade que nos tribunais portugueses só se safem os ricos. Em Ponta Delgada temos um bom exemplo de que os pobres também se safam. Fora isso, tudo bem.