Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Estou muito interessado na última discórdia no PSD. Eu já sabia que a calma nestas últimas semanas não podia durar muito. A comissão distrital de Faro, presidida pelo inesquecível Mendes Bota, quer que o ex-inspector e escritor de sucesso Gonçalo Amaral seja o candidato à presidência da Câmara de Olhão. Manuela Ferreira Leite diz que não e invoca um estatuto do partido que impede um recente ex-funcionário da justiça a aceder a um cargo político por causa da promiscuidade e blá, blá, blá. Não interessa. Vou pôr de parte a já habitual luta de fracções no PSD por ser cronicamente cansativo. Embora confesse que o pitoresco Mendes Bota e já agora o antitabagista prematuro Macário Correia, também autarca da zona algarvia, sejam sempre temas inspiradores. O importante é por agora o candidato e ex-inspector. Gonçalo Amaral tem fama de ser um homem teso com ideias próprias. Se fosse por ele, os pais da Maddie já estariam presos e a mãe de Joana devia cair das escadas abaixo pelo menos uma vez por semana. Estes desejos pessoais de justiça não se dão lá muito bem com – não sei como é que hei-de dizer isto de outra maneira… – a Justiça. No entanto, o inspector decidiu ser ex-inspector e enveredou, com todo o direito do mundo e para mal dos leitores, por uma carreira literária. No seu livro “A verdade da mentira” explicou a sua teoria conspirativa, a pressão dos ingleses, a cumplicidade do Ministério da Justiça e a deslealdade da Policia Judiciaria, instituição na qual trabalhou durante vinte e seis anos. Por tudo isto, Gonçalo Amaral dá provas de ter o currículo certo para ser candidato pelo PSD. É precisamente por ter este currículo de birras, obsessões e memórias ressentidas, mais que normal em qualquer pessoa que lidere o PSD, que o partido não deve incluir nas suas listas um candidato com tanto potencial conflituoso. Mais vale que Manuela Ferreira Leite arranje a papelada necessária para propor outro candidato igualmente popular mas mais certinho. Sugiro o pai ou a mãe da Maddie. Fora isso tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:04
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Comentários:
De Ana Cristina Leonardo a 27 de Janeiro de 2009 às 15:18
oh pá, quevedo, olhão é a minha terra! e, como podes confirmar, contínua pícara


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