Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Felizmente nem tudo é Freeport nesta vida. Há também outras notícias que ajudam a passar os momentos difíceis que estamos a viver. Li uma delas hoje no Diário de Notícias. Segundo conclusões de estudo sueco, nas espécies animais em que as fêmeas são infiéis, os machos têm espermatozóides maiores e mais rápidos que nas espécies monogâmicas. Embora não seja preciso ser sueco nem cientista para chegar a esta conclusão, é bom saber que todos estamos de acordo. O senso comum diz-nos que só com treino se consegue saltar mais alto, correr mais rápido e ser mais fortes. Aplicar esta popular lei olímpica a todas as nossas actividades é mais que suficiente para chegarmos à mesma conclusão dos suecos gastando, em princípio, menos dinheiro na pesquisa. A originalidade deste estudo é a de afirmar, sem rir, que a culpa é das fêmeas promíscuas. A explicação é que os machos aprendem que elas são adúlteras. Se é que se pode falar de adultério no reino animal não-humano. Isto significa que para se reproduzir a competição não acaba no cortejo e continua no canal uterino ou como diabo se chama a rua interna que leva à fecundação. Daí que os espermatozóides tenham de ser citius, altius e fortius em comparação com os seus adversários. Mas o que torna esta descoberta dos totós suecos mais interessante é a tal culpa que atribuem à promiscuidade das raparigas: às raparigas animais não-humanas, claro. Tão interessante que a própria jornalista que escreveu a notícia acaba o artigo a dizer: “Este estudo é especialmente relevante devido à quantidade de espécies diferentes analisadas. Os peixes, apanhados em lagos na África, representam diferentes comportamentos de acasalamento, dos machos monogâmicos até às fêmeas que acasalam com muitos, muitos machos”. Reparem no final: “muitos, muitos machos”. Elas, de facto, não-humanas ou não, são todas umas vagabundas. Coitadinhos dos machos. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:54
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO