Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

A reportagem sobre a Madeira e Alberto João Jardim publicada pelo diário “El País” de Madrid foi muito noticiada. Em Espanha, claro. A comparação com Kadhafi, por este ser o único líder mundial que rivaliza em longevidade com o nosso Alberto João, embora sem eleições democráticas, fez manchete em alguns jornais portugueses. A reportagem estava razoável, tendo em conta que foi feita por estrangeiros. Nada do que foi escrito surpreende nenhum português continental. Talvez uma coisa ou outra podia ter espantado algum madeirense, mas acho pouco provável. No entanto, foi tão divulgado que parecia que os castelhanos tinham descoberto o Japão antes de nós. Coisa que sabemos não ter acontecido. A reportagem escrita num espanhol correcto, tenho de reconhecer, enumerava as virtudes e os defeitos de Alberto João. Movidos pela inveja, julgo eu, dedicaram mais tinta aos últimos. Desde que esteja bem escrito e com educação, por mim, não tenho nada contra. Contudo, lembrei-me da noite das últimas eleições americanas. Vi-as pela CNN em companhia de amigos, entre eles um casal luso-americano. Ela, a parte americana do casal, democrata desde sempre e obamista desde a primeira hora. Enquanto esperávamos pelos resultados víamos outros canais, Al-Jazeera, BBC, France 24, SIC Notícias e assim por diante. Todos esses canais ou estavam a transmitir os momentos mais ridículos de Bush ou entretinham-se a proferir diatribes muito violentas sobre o dito rapaz. A minha amiga americana, duma tolerância infinita, comentou: “Eu odeio o Bush, mas uma coisa é sermos nós, americanos, a falar ou rirmo-nos dele; a outra é isto que estamos a ver. Desculpem, mas é mais forte que eu.” Todos achámos normal. Com o Alberto João Jardim aconteceu-me a mesma coisa. Para o bem ou para o mal, o Alberto João Jardim é nosso. Só nós o podemos criticar. Enfim, os madeirenses podem criticá-lo. Ou melhor, talvez alguns madeirenses o possam criticar. E, se não o criticam, tenho a certeza de que o próprio Alberto João tem um grande sentido de autocrítica, embora ele próprio não goste de andar por aí a divulgar as suas opiniões. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:58
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