Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Há uma discussão a decorrer nestes dias que, apesar de ser um problema de poucos, é interessante para muitos. Um entrevistado tem ou não o direito de recusar o nome de quem lhe vai fazer perguntas? À primeira vista podíamos pensar que sim. Tal como não falamos com pessoas de quem não gostamos, podíamo-nos negar a responder às suas perguntas. Mas, por outro lado, aceitar ser entrevistado faz parte do mundo do trabalho nem que seja só para contar que a actriz fulana de tal nunca foi tão feliz na sua vida desde que sai com um mestre-de-obras que está sempre a fazê-la rir. Dar uma entrevista é trabalho para as duas partes. Para o entrevistado é dar a conhecer alguma parte das suas actividades que podem ser interessantes para o público e o entrevistador deve conseguir tirar uma informação pelo menos diferente de um mero comunicado de imprensa. Toda esta polémica começou porque Azeredo Lopes, presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, recusou um dos entrevistadores do Semanário Expresso. Henrique Monteiro fez-lhe caso e escusou o tal jornalista vetado. Depois da publicação da entrevista, Henrique Monteiro achou que a exigência do Presidente da ERC foi “brutal e inaceitável”. Mas que aceitou, aceitou. O que para mim abriu um precedente igualmente brutal e inaceitável. Isto vai fazer com que seja impossível recusar os pedidos dos futuros entrevistados. Não custa nada imaginar um ministro que vai à SIC revelar o plano que nos vai salvar da crise mas que não quer ser entrevistado pelo Mario Crespo ou pelo Ricardo Costa. Exige que seja a Ana Lourenço ou a Clara de Sousa. Ou um outro que vai à TVI, mas cheio de medo não aceita a Manuela Moura Guedes e exige que seja o Júlio Magalhães a entrevistá-lo, que é mais simpático. Ou um político benfiquista que veta a Judite de Sousa por ser demasiado portista para o seu gosto. Pode ser um pesadelo para todos os serviços de notícias já sem contar com a imprensa escrita onde jornalistas giras não abundam. E tudo porque o director do Expresso aceitou a inaceitável brutalidade do presidente da ERC. Por culpa dele muitos entrevistadores podem ir parar ao desemprego. Shame on you, Henrique Monteiro, como disse Sá Fernandes no tribunal. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:22
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Comentários:
De Júlio Coimbra a 4 de Fevereiro de 2009 às 16:56
Há sempre a possibilidade de fazêr como o Professor Marcelo,para bque precisa ele de um entrevistador?.


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