Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

José Sócrates, na sua condição de líder do Partido Socialista, deslocou-se por esse pais fora – ou país dentro, depende do ponto de vista – para esclarecer os seus correligionários a respeito da sua moção “A Força da Mudança”. Todos concordam que este esforço partidário visa recuperar a confiança dos sectores de esquerda fora e dentro do partido. Actividade necessária e acertada se tivermos em conta que no PS Sócrates tem sob controlo a parte do Partido mas tem uma relação conturbada com a parte socialista. È um problema chato que nem Louçã nem Jerónimo de Sousa têm. Só pior está a Manuela, que tem relações conturbadas com ambas as partes: a do partido e a do social-democrata. Enfim, nada que o Zezito não possa resolver. No entanto, neste périplo realizado na semana passada houve certos problemas de “terring”. Explico melhor. O timing das sessões de esclarecimento da moção é correcto. Tem de ser agora. O casting também até porque não pode ser de outra maneira. Sócrates faz tudo, dá a cara por tudo e fala por todos. O “terring”, que é o mesmo que o timing e o casting mas que se aplica às terras escolhidas e não ao tempo nem aos protagonistas, é que não foi bem pensado. Um exemplo: o casamento de homossexuais é um assunto delicado. Se tivesse sido apresentado no Bairro Alto de Lisboa, passava com aclamação, mas se isso tivesse acontecido na Mouraria, já podia ter provocado um problema ou outro. Agora tentar explicar o direito dos homossexuais a casar no meio do Alentejo é completamente de doidos. Quem viu as caras dos rudes militantes socialistas presentes na sessão de esclarecimento de Sócrates, sabe do que estou a falar. Aplaudiram e comentaram com entusiasmo tudo o que o líder disse. Mas sobre o tal casamento fizeram um silêncio de boca aberta. Foi um momento confrangedor. Se só tivesse falado de deduções fiscais dos contribuintes no Alentejo, teria ganho a plateia. Mas não. Preferiu falar dessas modernices estrangeiradas dos casamentos gays na terra da açorda e onde se come túberas de porco ao pequeno-almoço. Quem precisa de tios e primos quando se tem assessores desses? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:26
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