Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

O secretário-geral do PS, José Sócrates, garantiu ser possível identificar os ricos e reduzir-lhes as deduções para assim conseguir diminuir a carga fiscal da classe média portuguesa. O problema mais delicado desta medida é saber quem são os ricos. A frase “identificar os ricos” arrepia-me. A ideia de poder saber quem pode ou deve prescindir das normais deduções impositivas parece-me assustadora. Mas vamos supor que conseguíamos ter um sistema fiscal infalível, que não é o caso, mas isto é só um supor, devíamos encontrar um sistema perfeito de identificação de ricos. Desde que os ricos já não andam de cartola como o tio Patinhas e que tudo é falsificável e não é fácil identificar nem pobres nem ricos. Ainda por cima, já há poucos que ostentem seja lá o que for. O aumento de casos de carjacking também não ajuda e viver num bairro caro já não quer dizer nada. Talvez um questionário de escolha múltipla permita a tal identificação. Em que consiste o seu pequeno-almoço:

a) café com leite e torradas;

b) sopas de cavalo cansado;

c) caviar;

d) não sei/não respondo.

Como os ricos não são estúpidos – pelo menos os que tenham herdado a fortuna – vão ignorar o caviar, vão sentir-se tentados a responder “não sei”, que é a mais pura verdade, mas vão acabar por responder sopas de cavalo cansado porque acham mais querido e pitoresco. Por sua vez, o funcionário do fisco, ao pôr os olhos na carteira Louis Vuitton, vai perceber que a contribuinte mentiu. Tem carteira de “caviar” ou de “não sei”? Mas se a contribuinte testada for de classe média baixa e tenha comprado a carteira nos ciganos e realmente tomar um bagaço ao pequeno-almoço porque a tal sopa é para crianças, lá se vai a validez do teste. Se calhar o que diferencia os ricos dos pobres é a cara. Quem esteja sempre stressado e angustiado é pobre. Quem esteja com cara de bem disposto é rico. Julgo que é o mais acertado é acabar com as deduções de impostos a todos os que derem sinais de ostentação de felicidade. Está contente? Tunga! Paga que nem ginjas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:28
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