Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

Ontem deitei-me um pouco mal-humorado. O dia tinha sido péssimo porque tive a sensação de que o mundo inteiro me falava exclusivamente para me irritar. E quando digo “o mundo inteiro”estou a exagerar. Na verdade foi o mundo quase todo. Começou com esse pitoresco Juan Somavia, director-geral da Organização Internacional do Trabalho, quando afirmou apocalipticamente que “a globalização estava a acontecer num vácuo ético, tornando-a moralmente inaceitável e politicamente insustentável”. Imagino que o público assistente se deve ter posto de pé a aplaudi-lo. Sem dúvida uma frase digna do eco duma catedral. Até o ouço aqui: a globalização… globa-globa… liza-liza… ção-ção… ção…”. São grandes palavras mas significam pouco. Sou dos que pensam que o tal fenómeno global não é nada de novo. Suponho que os gregos a inventaram e os romanos a consumaram. O vácuo ético mencionado não foi mais que a lentidão normal do ser humano que sempre foi e continua a ser ultrapassado pela realidade criada por ele próprio. Ainda por cima, as novas tecnologias são rápidas como o caraças. O lado moral, neste caso “inaceitável”, já tinha acontecido com as conquistas, as colonizações, as evangelizações e demais invasões. Aquilo que é politicamente “insustentável” é a mesma coisa. Lembremos as Américas, as índias, as áfricas, e tudo quanto globalizámos com caravelas. Claro que não podemos esquecer que o Juan Somavia, embora fino e educado, é uma espécie de delegado sindical das Nações Unidas. E é natural que tenha uma tendência populista que o faz dizer estes disparates. A seguir a este anúncio do fim do mundo declarado pelo Juan Somavia ouvi a nossa Manuela Ferreira Leite dizer, sem ironia, que não participa na política do espectáculo, que não trabalha nem fala para as sondagens. Muito bonito, sim senhora. Continua assim até à sondagem final, que é como quem diz as eleições democráticas, e depois vais ver como elas doem. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:30
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Comentários:
De ana cristina leonardo a 14 de Fevereiro de 2009 às 22:44
Continua assim até à sondagem final, que é como quem diz as eleições democráticas, e depois vais ver como elas doem.

é só para sublinhar e rir-me mais um bocadinho


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