Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008
A cada dia que passa mais me convenço de que nos estão a obrigar a voltar a infância de uma maneira compulsiva. Como quando éramos crianças: Não comas isso, não bebas aquilo, não corras, as mãos em cima da mesa… Já perdi a conta das coisas que nos estão a proibir. E agora como adultos, é mais difícil: não aprendemos tão depressa como antes. Ele é o código da estrada. Ele é os restaurantes. Cada semana uma coisa nova e sempre radical. Não vejo mal em nada disto. Só teria gostado que não fosse tudo ao mesmo tempo. Ainda não nos habituámos às coisas simples como, por exemplo, que não é possível fugir ao fisco. Só agora percebemos que os cartões de crédito não são um acto de beneficência dos bancos mas antes pelo contrário. Já que não nos fica nenhuma alternativa a não ser voltar à infância, o mínimo que podem fazer por nós é ser um bocado mais pedagógicos. Se não vamos começar a confundir tudo. Eu, por exemplo, já não sei 0,5 é a taxa de alcoolemia máxima permitida ou o novo aumento no IRS. É preciso ter uma licença para usar uma colher de pau? Se trabalho na ASAE, posso fumar nos casinos? Se assaltar um banco a fumar, tenho a pena agravada? Trinta é o valor do IVA ou a velocidade máxima permitida nas auto-estradas? Ou será a velocidade mínima nas zonas pedonais? Se compro uma bola de Berlim devo denunciar-me a mim mesmo à Polícia? Desculpem lá mas é muita informação e a culpa é das novas tecnologias. Dantes levava-se mais tempo a fazer leis e as pessoas podiam acompanhar. Agora não. Eles são muito mais rápidos a legislar do que nós a perceber, e eu ainda hoje me esqueci de pôr o cinto de segurança… Ainda vamos levar algum tempo a aprender a viver no meio de tanta legalidade.


Publicada por Carlos Quevedo às 23:00
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Comentários:
De Ana Cristina Leonardo a 19 de Janeiro de 2008 às 17:26
a explicação está no pecado original, não há inocentes


De Dobra a 19 de Janeiro de 2008 às 12:11
Eu julgo que, no meio de alguma distracção da nossa parte, corremos o risco de ver o nosso nome "inscrito por lei" num ginásio, para que pratiquemos exercicio fisico obrigatório, em horário também "estipulado por lei".


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