Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009

Como é já uma tradição neste espaço radiofónico, envio as minhas felicitações ao engenheiro José Sócrates pelo triunfo por 96,43 por cento dos votos expressos no congresso do PS. Números que provocam inveja a Francisco Louçã ou a Manuela Ferreira Leite mas que dão segurança para discutir de igual a igual com um Jerónimo de Sousa ou um Paulo Portas. A esquerda moderada e democrática está em festa. Infelizmente a imprensa nacional não deu o devido destaque a este sucesso esmagador. Ontem foi mais importante haver alunos que não podem pagar as propinas, que o governo quer contratar médicos reformados, o que diga-se de passagem me parece uma óptima ideia, ou que os pais da Maddie tramaram o inspector Gonçalo Amaral, o que também acho uma excelente iniciativa. Se calhar o facto de ser o único candidato à sua própria sucessão tirou qualquer esperança de possível furo jornalístico. Por outro lado e sem querer fazer nenhum caldinho, o amigo Chávez bem podia ter adiado o referendo contra a limitação dos mandatos presidenciais mais uma semana. No fundo, o tal referendo não foi grande coisa. Na Europa qualquer primeiro-ministro pode, em teoria, ficar toda a vida no lugar sem ter necessidade de referendar seja lá o que for. Não é fácil continuar no poder, mas é possível. Imaginemos que encontramos agora em Portugal petróleo e muitos empregos e que, ainda por cima, temos bancos sólidos com fundos suficientes para relançar a economia. Tínhamos Sócrates para romper qualquer recorde do Guiness. Não é o caso, mas Chávez agora também não tem o barril de petróleo a cento e cinquenta dólares e é muito provável que por causa disso tenha querido agora o seu refendo para se recandidatar indefinidamente. Pergunto-me se não teria sido mais fácil mudar a Venezuela para um sistema parlamentar. De facto, Chávez teria mais trabalho se fosse primeiro-ministro, mas seria mais bem visto cá na Europa. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:38
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