Segunda-feira, 2 de Março de 2009

O XVI Congresso do PS foi um êxito. Comentadores de todos os quadrantes políticos concordam neste ponto. O pormenor de não ter havido debate político não é mais que isso: um pormenor insignificante. Um congresso partidário pode ser uma luta de galos, se houver galos para lutar. Mas quando há só um galo no galinheiro, é uma festa para o galo, as galinhas, os pintainhos e para todos os que queiram participar. Essa é que essa. Pessoalmente estou muito contente que haja um pouco de alegria nalgum sector da sociedade. Falou-se muito do Congresso como espectáculo à americana ou como especialmente concebido para a televisão. No primeiro caso, parece-me óbvio que se utilize modelos que com provas dadas de eficiência. Funcionou para Bush e funcionou para Obama. Só não funcionou para McCain, John Kerry e outros derrotados presidenciais. Significa isto que apostar num modelo com 50% de possibilidades de êxito não está mal. Que tenha sido pensando para a televisão, parece-me pouco original como crítica. Quem não quer aparecer na televisão? Só as pessoas que não são convidadas, para parafrasear mal um escritor irlandês. Até a Manuela Ferreira Leite, que odeia ir, não tem outro remédio. Contudo é preciso não esquecer que a televisão é um meio de comunicação social que sugou a experiência da rádio, do teatro e do cinema. Pode-se fazer a genealogia de qualquer programa de televisão nestes vetustos antecessores. No caso do Congresso do PS, além do já mencionado, podíamos encontrar outros avós, tios ou mães. A não comparência de Manuel Alegre teve raízes num clássico do teatro contemporâneo, embora deturpado, chamado À Espera de Gordô. As imagens comovidas de Sócrates lembram os momentos cinematográficos e irrepetíveis de Rocky, Rocky 2, 3, 4, 5 e até o último Rocky Balboa. A surpresa da noite foi uma homenagem aos finais inesperados de Agatha Christie, em que a personagem mais inofensiva e esquecida é culpada de ser cabeça de lista para o Parlamento Europeu. Estava-se mesmo a ver que era o mordomo, Vital Moreira. Só faltou aquele efeito muito hollywoodesco no fim dos encómios ao líder: uma pessoa insuspeita, por exemplo, a viúva de Sousa Franco, começar aplaudir sozinha. E, pouco a pouco, de militantes desconformes até militantes cépticos irem acrescentando as suas palmas até converter uma sala hostil numa sala delirante de amor e adoração pelo herói do filme. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:56
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