Quarta-feira, 4 de Março de 2009

A política e os políticos são um mundo à parte. Isto, já se sabe. Que ninguém pense que em Portugal é melhor ou pior que no resto do mundo porque não é. Acreditem. Será sempre difícil saber em toda a sua grande ou pequena dimensão o que leva um governante a decidir de uma maneira ou de outra, a falar disto ou daquilo. Qualquer explicação é só uma especulação mais ou menos inteligente, mais ou menos certa, mas todas elas sempre possíveis. É por estas, e já agora por outras, que gosto mais da política internacional. Embora seja tão ou mais complicada que a política interna, sempre temos a História para compreender as intenções e os resultados das decisões. Por exemplo, podemos concordar que a Revolução Francesa foi fundamental na história moderna, mas já não temos dúvidas de que Robespierre era um assassino psicopata. Podemos pensar que em 1930 pudesse haver algum totó que julgasse que Hitler era um salvador da Alemanha. Mas seis meses depois só não via o que se avizinhava quem não queria. Estão a ver o conceito? O tempo e a distância torna possível perceber tudo o que se passa longe de nós. Isto é a maravilha da política internacional. Para chegarmos aos nossos dias, temos esta proposta de Obama aos russos de não ir para frente com os planos de instalação de partes do escudo de defesa antimíssil na Europa Central em troca da ajuda do Kremlin para resolver o dossier nuclear iraniano. Há menos de um ano, todos acharam que Bush era uma besta com o tal projecto de defesa. Acontece que, graças a ele, Obama pode fazer alguma coisa de jeito com a ideia do mal amado ex-presidente. Terá Bush sido um génio estratégico? Talvez sim, talvez não. Mas se a proposta de Obama tiver êxito, e tiver assim os russos do nosso lado contra os iranianos, Bush já merece ocupar um lugar melhorzinho na História. Há coisas fantásticas, não há? Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:59
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