Sexta-feira, 6 de Março de 2009

Em geral sou das pessoas que não acreditam em coincidências a não ser quando me acontecem a mim. Nesse raro momento regido pelo acaso, digo para os meus botões, esta coincidência só confirma a regra de que não há coincidências. Vou dar um exemplo. Há poucos dias foi divulgado um estudo sobre a criminalidade na sociedade portuguesa. O resultado era mais que óbvio. Todos afirmam que há menos segurança, que de certeza vai piorar, que os parques de estacionamento, as ruas e os multibancos são os lugares mais perigosos. Também é em casa que os portugueses se sentem mais seguros. Nada que o senso comum não nos tenha advertido antes. Embora vos conte que tenho um amigo que mora num apartamento de três assoalhadas e que quando vai da sala à casa de banho, leva sempre um taco de basebol, não vá o diabo tecê-las. Mas ele não conta. Nem todos os portugueses são tão precavidos. Poucas horas depois de ser divulgado esta extraordinária pesquisa sociológica, aparece o nosso Ministro das Finanças, Dr. Teixeira dos Santos, com a alegria do dever cumprido, a informar que o Fisco instaurou mais de mil processos de levantamento do sigilo bancário no ano passado, mais vinte do que durante o ano anterior. Isto acrescenta mais um facto à insegurança. Os bancos não são um lugar seguro. No dia seguinte, viemos a saber que um contribuinte “portador de deficiência”, como tão elegantemente é descrito pelo jornal, foi inibido dos seus benefícios fiscais por ter uma dívida de um euro e noventa e sete cêntimos. Todas estas notícias não estavam ligadas entre si a não ser a coincidência de terem sido difundidas no mesmo dia. A única conclusão que se pode tirar disto é que o problema da insegurança não é só um assunto de Polícia nem sequer social. A insegurança é um modo de vida. A solução que proponho é atacar o mal ali onde se espalha e provoca securas. Ou seja, na cabeça dos portugueses. Para isso, só há uma solução: anti-depressivos livres e gratuitos para todos. Porque como disse no início, não há coincidências. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:54
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