Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Os ministros das finanças da União Europeia chegaram hoje a acordo em Bruxelas sobre as taxas reduzidas do IVA que contempla as portagens das pontes sobre o Tejo, como o nosso Ministro das Finanças exigia. Desde aquele bloqueio à ponte 25 de Abril no saudoso 1994 todos sabemos que as portagens nas ditas cujas são um assunto de Estado. Não interessa que tenhamos a gasolina mais cara de Europa ou serviços mais caros que em Espanha. As pontes de Lisboa é que não! Muito menos neste ano tão manifestamente democrático. A posição portuguesa foi determinada e inegociável. Bastava ver as declarações patrióticas e empolgadas do Dr. Teixeira dos Santos antes e depois de cada reunião sobre o tema. Até ameaçou a União Europeia que vetaria tudo aquilo a que tinha direito. Suponho que os ingleses devem ter sentido com Winston Churchill na Segunda Guerra o mesmo que nós sentimos ante o discurso inflamado e intransigente do nosso Ministro. Claro que com as devidas proporções. Não vamos comparar uma guerra mundial com um aumento da taxa do IVA numa ponte local, por mais bonita e importante que ela seja. Mas a firmeza de Teixeira dos Santos tinha para mim alguma inspiração ou reminiscências de Churchill. Sobretudo naquele famoso discurso lembrado como 'We shall fight them on the beaches', que dizia mais ou menos isto mas em inglês. Vamos combatê-los na praia, na terra, no ar, nos mares. Nunca nos vamos render! É evidente que o Dr. Teixeira dos Santos não tem ambições políticas maiores. Senão devia ter continuado como no discurso do Churchill. “Não pagaremos o IVA na Ponte, vamos combatê-los nos restaurantes, vamos combatê-los nas bombas de gasolina, vamos combatê-los na água e na luz. Nunca nos vamos render!” Mas não foi assim. Contudo a ponte 25 de Abril é, desde 1994, o ano do bloqueio, mais que uma ponte. É um vínculo indissolúvel, embora suspenso, se me permitem a imagem engenheira, entre os governantes, independentemente dos partidos e dos governados, seja qual for a margem do Tejo em que moram. Ninguém toca no IVA do raio da ponte. Fora isso, podem tocar em tudo.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:15
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