Terça-feira, 10 de Março de 2009

Sejamos sinceros. Há um certo tipo de criminosos que provocam curiosidade e em casos mais particulares até alguma admiração. A história de Artur Alves dos Reis poderá na altura ter indignado muita boa gente, mas com o tempo os sentimentos de justa condenação foram ultrapassados por uma espécie de admiração perversa pelo seu talento de burlão. Quando lemos que foi não só o maior embusteiro português como talvez, do mundo, julgo que todos sorrimos com um vergonhoso orgulho. Nos Estados Unidos é pior. Até há um clube de admiradores de famosos serial-killers. Isso é que é mesmo desprezível. Mas um ladrão com charme é outra coisa. Isto desde que não tenhamos sido uma das suas vítimas. A notícia que o nosso ex-presidente do Benfica tinha sido denunciado por Isaías Samakuva, presidente angolano da UNITA, por o ter deixado a arder com um milhão de euros tem alguma graça. Admito que não muita, mas alguma graça tem. O truque foi um daqueles com barbas. Se me dás um milhão agora, daqui a cento vinte dias dou-te cinquenta. Nem o meu sobrinho cai numa dessas. Mas o Isaías, impermeável à reputação do incorrigível Vale de Azevedo, acreditou. Esta história até pode ser falsa. Notícias mais disparatadas já foram publicadas. Mas que é totalmente credível que tenha acontecido, lá isso é. Esclareço que ainda não nutro pelo Vale de Azevedo nenhuma admiração, mas é refrescante saber que há pessoas que não mudam e que continuam a fazer das suas com o entusiasmo e a eficácia de sempre. Não sei nada do Isaías Samakuva. No entanto se esta burla de facto aconteceu, não sou capaz de ter pena dele. Não porque julgue que seja estúpido, mas porque não respeito as pessoas convencidas. O Isaías deve ter dito à sua gente: a mim o gajo não me engana. Todavia, como não sabemos muito desta história, até pode haver uma reviravolta e o Vale de Azevedo acabar por admitir que foi enganado pelo presidente da UNITA. Se for assim, o Samakuva merecerá o nosso respeito. É pouco provável mas às vezes Hollywood faz filmes com finais mais imprevisíveis. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:18
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