Quinta-feira, 12 de Março de 2009

Há uma parte de mim muito forte a que chamaria de dona de casa ou, se quiserem, de vida social. Gosto de ter visitas em casa. Ainda mais se as visitas são estrangeiras. Gosto de falar noutras línguas ou ouvir a minha falada doutra maneira. Em época de crise económica, então, não há nada melhor do que organizar festas e falar dos bons velhos tempos e fazer planos para o futuro. Com a visita do presidente angolano Eduardo dos Santos quase tudo correu comme il faut. A sua comitiva e as suas deslocações por Lisboa não passaram despercebidos por ninguém que tivesse a má sorte de coincidir nos seus itinerários. Mas isso acontece-nos sempre que temos visitas opulentas. Só quando vem algum presidente de países pobres é que ninguém dá por nada. Gostava de propor que já que temos um inútil e dispendioso Parque das Nações centralizássemos todas as visitas oficiais nessas bandas. Era mais simpático para o nosso dia-a-dia e evitava certos embaraços aos chefes de Estado pobrezinhos, que não se podem dar a muitos luxos nem têm direito a grandes comitivas nem recepções. E gostava de propor outra coisa: evitar comportamentos pouco simpáticos. Quando recebemos visitas, mandamos as crianças para o quarto ver televisão ou damos-lhes um valium. Sugiro fazer o mesmo com os políticos que sofrem do complexo da Amnistia Internacional. É de péssimo gosto andar a criticar as visitas quando estão em casa. Isso aplica-se aos meninos da direita, como o Bagão Félix que logo agora deu para criticar a política de investimento do governo. Também eu daria umas palmadinhas na fralda aos meninos da esquerda bloquista por fazerem birras à frente dos amigos dos pais. Se Hillary Clinton pode ir à China e não fala de assuntos inconvenientes não vejo porque o Bloco de Esquerda não pode ser bem-educado quando temos convidados. É típico das crianças mimadas não controlar esse desejo de dar nas vistas e incomodar as conversas dos adultos. Mau, mau. Deviam ter ido para a cama mais cedo. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:19
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