Sexta-feira, 13 de Março de 2009

António Costa criticou o titular do Ministério de Administração Interna, Rui Pereira. Acusou-o de encerrar esquadras e descuidar a segurança em Lisboa. Por sua vez, a Polícia acusa o actual presidente da Câmara de Lisboa e ex-ministro do mesmo ministério que critica, de ser o principal responsável pelo clima de insegurança que se vive nos grandes centros urbanos. Lembram-lhe ter sido ele o culpado pela suspensão da admissão de pessoal e por ter contribuído para o descontentamento geral na Polícia, cortando direitos adquiridos na saúde e alterando as regras da reforma e pré-reforma. Esta situação invulgar suscita um problema nunca antes discutido. Sabemos que um ex-ministro, por exemplo Jorge Coelho, depois dum tempo de nojo, pode ter actividades no sector privado mesmo que tenham alguma relação com as funções exercidas como governante. Não sabíamos que um governante podia mudar de cargo sem tempo de nojo algum, para um lugar que podia colidir com o cargo antes exercido. Como Ministro, António Costa preocupou-se prioritariamente com os custos. Como Presidente da Câmara parece ter mudado de opinião. Não duvido de que tanto antes como agora, Costa tenta fazer aquilo que lhe compete. Mas meter-se numa polémica destas parece ser uma forma de se pôr a jeito. Dantes estava certo como ministro ou agora tem razão como Presidente da Câmara? É por causa deste tipo de situações que aquela prudente medida de distanciamento entre uma função profissional e outra potencialmente contestável faz algum sentido, mas é impossível de aplicar no mundo dos políticos de sucesso que saltam dum cargo para o outro. O que fazer? Só há uma alternativa: não ser António Costa. Mas se fores, eis um conselho: nunca tomes uma decisão que sejas obrigado alguma vez a cumprir. Outro: sempre que decidires, pensa no teu futuro. Mais um: se calhares ser ministro da Administração Interna, pensa sempre que mais tarde ou mais cedo vais precisar da Polícia. Por último, não faças ao teu antecessor o que fazes ao teu sucessor. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:20
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