Segunda-feira, 16 de Março de 2009

Começou hoje o julgamento de Josef Fritzl, que já admitiu o incesto mas nega o homicídio de uma recém-nascida, que tanto podia ser neta como filha. Não sabemos o que Fritzl sentia por ela. Julgo que agora é tudo uma questão de forma. O homem é culpado, todos sabem que é culpado, e declarou-se culpado de quase tudo. Josef morrerá na cadeira de velhice ou talvez assassinado por algum outro criminoso que se julgue moralmente superior. Há de tudo nas cadeias; e, sobretudo, nas cadeias de países desenvolvidos, não faltam criminosos com princípios que não admitem nenhuma profanação do ambiente familiar. Como não acredito que se possa falar muito deste assunto, gostava de mostrar a minha preocupação com os direitos dos arguidos ou acusados. Francamente não consigo perceber a diferença entre uns e outros. Mas o tema que me interessa é o pormenor de deixarem ou não a cara à mostra. Josef, que com certeza sabe que até seria reconhecido na Zambujeira do Mar no Inverno se algum dia fosse à costa Alentejana, decidiu, ridícula ou burocraticamente, tapar a cara com uma pasta azul. Concluí que em quase todos os países ocidentais este é um direito que assiste a todos os acusados. Em Portugal, ninguém deixou de reparar que, no caso Casa Pia, a Dona Gertrudes foi a única acusada que teve a preocupação de tapar a cara duma maneira por vezes muito imaginativa mas pouco elegante. Até me surpreendeu que não utilizasse um modelo muçulmano do estilo chador ou burka, que fica sempre bem a todas. Os delinquentes comuns tapam-se com qualquer coisa que tenham à mão: um casaco, uma camisola. Todas estas alternativas dão-lhes um aspecto de culpados sem sombra de dúvida. A minha preocupação é que se é mais ou menos usual cobrir o rosto quando vão a tribunal, porque não se uniformiza esta maneira de anonimato? Seria mais apropriado que as autoridades providenciassem a vestimenta de incógnito devidamente regulamentada e igual para todos os arguidos, culpados ou inocentes, que não quisessem ser famosos. A experiência diz-me que este regulamento só vai existir quando se der algum excesso. Por exemplo que um arguido ponha um capuz de carrasco ou umas barbas falsas ou uma mulher apanhada sem casaco opte por pôr o soutien na cara para não ser reconhecida. É conveniente que as autoridades comecem a pensar no assunto antes que suceda uma desgraça. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:22
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