Quarta-feira, 25 de Março de 2009

Segundo recentes estudos, a nossa taxa de suicídio é muito similar à taxa verificada em países muito mais desenvolvidos que o nosso. Também o número de portugueses obesos está a aumentar, aproximando-nos cada vez mais do primeiro mundo. Ainda não atingimos os Estados Unidos mas, tendo ganho Obama as últimas eleições presidenciais, tudo leva a crer que os obesos americanos vão diminuir. O que nos leva a concluir que entre o aumento de gordos portugueses e a descida dos gordos americanos, os números vão chegar a ser proporcionalmente iguaizinhos. Para os optimistas incuráveis, os suicídios e a obesidade, são índices indiscutíveis do nosso cada vez maior desenvolvimento. Não vou discutir com pessoas que têm uma perspectiva tão entusiasta da vida. Contudo, é preciso não nos deixarmos enganar pelas estatísticas. Aparentemente este estudo implica que os obesos não se suicidam. Se não fosse assim, significava que quantos mais suicídios menos obesidade. Por isso, é legítimo pensar que os suicidas são magros e quem não se suicida tem tendência para engordar. Por outro lado, não me parece correcto tomar estas tendências pouco saudáveis como parâmetros de um putativo êxito económico. Embora um suicídio seja um suicídio aqui na terra como na Suécia e um obeso seja igualmente gordo em Trás-os-Montes como em Nova Iorque, nem por isso são sociologicamente equivalentes. Tomemos ao acaso um tipo de suicida português. Um GNR, por exemplo. Se apanharmos o homem antes de consumar o irremediável e o trasladarmos de imediato para a Noruega, tenho a certeza de que muda de opinião. Se pelo contrário, trouxermos um polícia nórdico e suicida e o colocarmos em Rio de Mouro, verificaremos que não só não mudará de opinião como ainda é capaz de primeiro engordar e depois se suicidar. Outro aspecto confuso deste estudo é o aumento da obesidade como se alguma vez tivesse sido pouca. A nossa gastronomia é irresistível e a nossa geografia não ajuda muito a fazer passeios para ajudar à digestão. Um obeso português é desculpável. Agora um finlandês gordo não tem explicação. Eu preferia suicidar-me a engordar à base de arenques. Esta decisão explicaria a taxa nórdica de suicídios mas não a sua correspondente obesidade. Espero ter esclarecido as vossas dúvidas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:31
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO