Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Muito está a dar que falar o nosso primeiro-ministro José Sócrates por processar vários meios de comunicação social. Ele é o Público, ele é a TVI, ele é o Sol, ele é um colunista do Diário de Notícias, João Miguel Tavares. É evidente que processar pessoas e jornais por emitirem opiniões não é muito bonito. Até porque seguindo a lógica da vítima seria embaraçoso para o país que tivesse de levar estes processos a um tribunal europeu para arrumar o assunto de uma vez. Até lá, esta extravagância de processar em massa pode provocar ciúmes malsãos entre os colunistas e os meios de comunicação social. Ser processado por um primeiro-ministro não é coisa que fique mal no curriculum neste ambiente tão competitivo dos profissionais da opinião ou das notícias. Para as pessoas imaturas ou com pouca experiência é como ter o diploma da independência jornalística, a medalha de mérito da oposição democrática, o martírio consagrador da liberdade de expressão. Na verdade ser processado é uma chatice. Digo isto porque também eu fui jovem. Quero dizer que também já tenho passado por isso. Há que ir a tribunal e é uma seca. Normalmente o queixoso nunca vai porque pode ser representado pelos advogados. Os adiamentos, a falta de comparência das testemunhas e as férias judiciais também não ajudam. O pior é que o tempo passa e todos se desinteressam. Ainda por cima, neste caso, não é só uma pessoa a ser imolada no altar da paranóia. Para já, são três e pode haver mais. É uma multidão. Isso tira um pouco a pica. Mas aqui está o segredo destes processos. Sócrates sabe que só um acusado é uma estrela. Muitos já são um movimento político. A minha teoria é que estes processos não servem para se defender duma injustiça nem para provar a sua inocência. Também não acredito que Sócrates ache que se deva limitar a liberdade de expressão. A minha teoria é que assim como a guerra é a política por outros meios, os processos judiciais são uma campanha eleitoral por outras vias. O problema é que se estou enganado, então, isto é mesmo muito chato. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:40
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