Terça-feira, 7 de Abril de 2009

As declarações de Dayana Mendoza, modelo venezuelana e Miss Universo, suscitaram muitos comentários machistas. Depois da sua visita a base de Guantanamo, afirmou que tudo era calmo e belo, que foi muito bem recebida pelos soldados americanos e que se tinha divertido muito. Imediatamente a seguir a esta notícia pulularam comentários sobre a tradicional estupidez das mulheres bonitas e em especial das misses seja do que forem. Desde já é importante esclarecer a toda essa cambada de misóginos que as mulheres e, particularmente as muito belas, dizem sempre coisas interessantes. Podem enganar-se na oportunidade, no interlocutor ou no contexto, mas nunca são estupidezes. Não vou comentar a insensibilidade das pessoas que convidaram esta rapariga para visitar uma base militar com um anexo prisional tão polémico como este. Ao contrário da convidada, devem ser pessoas manipuladoras, velhas, gordas e carecas. No entanto, verifico que, apesar de venezuelana, os americanos receberam-na de braços abertos e tenho a certeza de que pouparam os seus olhos ao espectáculo da povoação prisional. O menos que se pode dizer desta povoação é que é composta por pessoas cuidadosamente seleccionadas. A Dayana teve ter conhecido o lado bom de uma base militar, própria duma qualquer base militar situada numa paradisíaca ilha das Caraíbas. Os comentários elogiosos da rapariga não foram mais que um acto civilizado de quem foi convidado e não admite falar mal dos seus anfitriões. Por outro lado, as pessoas que vão a lugares de beleza natural não comentam as coisas más. Depois de ir ao Rio de Janeiro ninguém diz que é uma cidade só de criminosos. Ninguém que, já agora, tenha ido a Cuba regressa com a ideia de deitar abaixo o regime cubano. Não conheço nenhum turista estrangeiro que depois de ter ido de férias ao Algarve, volte ao seu país de origem a falar mal do sistema penitenciário português. A Dayana passou umas férias lindíssimas em Guantánamo. Divertiu-se à brava. O que queriam que ela fizesse? Que denunciasse as condições carcerárias? Ó Dayana, se me estás a ouvir, não ligues. É só inveja. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:45
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