Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

A escola primária de Saint Laurence em Bradford foi notícia em Inglaterra. O seu método de ensino na disciplina de Educação Sexual causou escândalo entre os pais dos alunos que frequentam esse estabelecimento. Veio a público que era ensinado aos alunos o significado dos palavrões mais usados na língua inglesa, segundo o «The Sun». Não estou a par do modo como os pré-adolescentes actuais aprendem os palavrões, mas eu, como quase toda a gente, aprendi-os com gente do pior. E como todos aprendi também a utilizá-los antes de saber o que significavam. Essa ignorância provocou-me muitos dissabores na minha infância tardia. Não posso esconder a inveja retroactiva que me invade por estes putos ingleses, que adquirem o léxico transmitido por pessoas competentes. A quanta pancada ter-me-ia poupado se tivesse tido acesso a esse conhecimento fundamental. Os palavrões que repetíamos porque nos faziam rir significavam coisas extraordinárias, que ditas às pessoas erradas nos momentos errados podiam causar danos morais e psicológicos. Lembro-me, com apenas dez anos de idade, de ter utilizado um em particular cuja sonoridade e variedade funcional me entusiasmava particularmente. Podia ser utilizado como verbo, advérbio, substantivo ou adjectivo. Era sempre possível fazer recurso a ele. Um dia, um rapaz teve a iniciativa de me explicar o seu significado em forma de verbo. Para compreender a sua importância nos factos da vida, exemplificou com os meus pais. Eles também o faziam. Fiquei pior que um arguido da casa Pia a contar na televisão o horror de que era acusado. Uma vez passada a desilusão que senti pela vulgaridade pecaminosa dos meus progenitores, dediquei-me a inquirir acerca do significado do resto das palavras que me faziam rir. Felizmente, nunca tive outra revelação tão brutal como a primeira. Por isso cumprimento com admiração os educadores ingleses e repudio a estupidez desses pais. Nunca se deve recusar a informação, por mais que nos doa. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:44
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