Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

A história que países europeus acolham prisioneiros de Guantánamo é esquisita. Cerca de 60 detidos são originários de países como o Uzbequistão, a Síria, a Líbia e a Tunísia. Como não serão acusados, devem ser acolhidos por outros países. A explicação que dá a Amnistia Internacional é que "tendo em conta que os EUA chamaram a estas pessoas terroristas, homicidas ou pior, alguns governos podem estar nervosos em recebê-los, por isso os Estados Unidos devem fazer o necessário para tranquilizar os governos europeus e as suas populações". A minha pergunta é a seguinte: o que podem os Estados Unidos fazer para nos tranquilizar? Só dar a certeza de que são boas pessoas. Muito bem. Agora, a minha segunda pergunta. Se são boas pessoas, porque é que o Uzbequistão, a Síria, a Líbia e a Tunísia não recebem os seus cidadãos injustamente encarcerados? A Amnistia responde: porque os EUA chamaram a estas pessoas terroristas, homicidas ou pior, e alguns governos podem estar nervosos por recebê-los. Ora bem, a minha terceira pergunta: o que é que os Estados Unidos deviam fazer para tranquilizar esses governos? Só dar a certeza de que são boas pessoas. É óbvio que perdi uma parte do raciocínio da Amnistia Internacional. Estou sempre de acordo quando se trata de acolher pessoas sem nos importarmos com a origem delas. No entanto, gostava de compreender porquê. Se são boas pessoas, podem ir para onde lhes apetecer. Se têm problemas nos seus países, eu percebo. Podem ir para outros. Mas estamos a falar de sessenta pessoas. Vinte podem ficar em qualquer país do continente americano; outras vinte podiam distribuir-se pela Europa. As vinte restantes têm a África, a Oceânia e o Oriente para escolher. Qual é o diabo do problema? Só se são difíceis de contentar porque se são só sessenta boas pessoas. Mas algum lugar no mundo se há-de arranjar. Claro que "tendo em conta que os EUA chamaram a estas pessoas terroristas, homicidas ou pior”, alguns bairros podem estar nervosos por os receber. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:46
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO