Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

As funcionárias da nova Loja do Cidadão de Faro estão proibidas de usar saias curtas, decotes exagerados, gangas, perfumes agressivos, saltos altos e roupa interior escura. A norma faz parte do conjunto de regras exigidas no âmbito da modernização administrativa. São muitas as dúvidas que me martelam na cabeça. Se esta regulamentação faz parte da modernização administrativa como era dantes? Será que as funcionárias andavam vestidas como Imperatriz Sissi a mostrar os ombros e não demos por elas? Outra interrogação que me assalta o espírito é se este regulamento se aplica só à Loja do Cidadão de Faro. Nesse caso, no resto do país, continuaremos a ser atendidos por provocantes funcionárias públicas, coisa que é um alívio. Todos sabemos que a única motivação que temos para ir a uma loja dessas é a oferta de possibilidades românticas que podemos ali encontrar. Mas não tenho só dúvidas; também tenho algumas certezas. Uma delas é que Manuel Alegre continua a não saber o que fazer. Quando o ouvi dizer que esta era uma medida fascizante e totalitária, percebi que o homem vive num tédio de morte. Por mais antipática que possa ser uma regulamentação como esta, não exageremos. Qualquer organismo do Estado pode impor regras aos seus empregados. Está no seu pleno direito desde que, por exemplo, não obrigue as empregadas a atender na caixa de um banco em topless ou a receber formulários numa repartição de Finanças enquanto rodopiam num varão. Outra certeza que tenho é sobre quem bufou aos jornalistas esta regra vitoriana de vestimenta. Basta ir à Loja do Cidadão em Faro e observar as funcionárias a funcionar. Reparar naquela ou, com sorte, naquelas, em que se percebe um corpo bem tornado com pernas esbeltas e compridas por debaixo da farda. Aí teremos a bufa. Ou, com um bocado de sorte, as bufas. Só peço que me façam o favor de não a denunciar. Não foi por mal. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:44
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