Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Uma notícia que para mim não teve o destaque que merece é a greve da fome que o Presidente da Bolívia, Evo Morales, iniciou na quinta-feira com o objectivo de impor celeridade à antecipação das eleições gerais de que depende a sua continuação no cargo. Morales disse que não abandona o protesto enquanto a lei não for aprovada pelo Congresso. E o Congresso não aprova porque a oposição não assiste à votação, impedindo que haja quórum. Para quem não esteja a par da política na Bolívia, Evo Morales é muito provavelmente o líder sul-americano mais sério e honesto desse continente. Que eu não esteja de acordo com os seus ideais não tem nenhuma importância, até porque não sou boliviano e não acredito que oiçam a Antena 1 na Bolívia. No entanto, é meu dever adverti-lo de que fazer uma greve da fome é sempre uma má ideia. Ainda mais se é para acelerar seja o que for e esse “for” dependa da oposição. Podemos imaginar o que acontecia se Sócrates fizesse uma coisa parecida. Fazer uma greve da fome é o mais parecido a uma birra duma criança que ameaça suster a respiração. Sabe que vai ser interrompida. E os pais sabem que não vai levar a ameaça até o fim. É sabido que a taxa de suicídio de crianças menores de dez anos é surpreendentemente baixa, isto para não dizer que é zero. Porém, os adultos que protestam não têm essa certeza, daí que a greve da fome seja uma péssima ideia. Se os membros da oposição fossem mais impressionáveis como os suecos ou os canadianos, ainda vá lá. Talvez pegasse. Mas são, como é normal que seja assim na Bolívia, bolivianos. Evo Morales corre um risco muito grande. Por mais folhas de coca que mastigue, que ao que parece ajudam para cortar o apetite, eu, se fosse presidente da Bolívia, não fazia uma greve da fome. Fazia uma coisa menos perigosa. Sei lá, se calhar, processava civilmente a oposição. Julgo que ainda não foi feito. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:46
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