Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

Na política como na vida há que ter sorte. Essa é que essa. Barack Obama é um desses afortunados abençoados com o acaso. Já ninguém discute que o homem tem capacidade de liderança. Mas tem uma sorte que não vos digo nada. Não vale a pena sequer lembrar que quando tomou posse, o seu antecessor, George W. Bush, tinha a taxa de popularidade mais baixa de sempre. O que dá sempre um grande jeito para começar seja o que for. Agora, numa época em que as intervenções armadas são depreciadas até pelos mais belicistas, aparece a Somália e os seus piratas. Na verdade, já tinha começado há uns anitos mas não era coisa para nos preocupar muito. Mas os velhacos tomaram-lhe o gosto e tiveram mais olhos que barriga e, em vez de piratear um barco europeu, o que, como sabemos, não traz muitas consequências (a Europa pratica a tolerância com os pobres que sejam bandidos com a mesma tenacidade de um fundamentalista quando se rebenta num mercado em Bagdade). Mas estes ladrões somalis meteram-se com um barco americano. Como é sabido, dias depois foi resgatado. Agora os americanos têm uma guerrinha que tem o beneplácito e a gratidão de todos os importadores de petróleo do mundo. Obama podia rebentar à vontade com a Somália que o mundo aplaudiria de pé. Ainda por cima estes piratas não são os que amávamos na infância. São feios, têm barcos de borracha ou velhas embarcações todas enferrujadas. É impossível ver algum pormenor que possa dar lugar ao mais pequeno romantismo ou simpatia. Nem a pobreza deles nos inspira compaixão. Os mares do Corno de África serão a recuperação da imagem das forças armadas americanas. “Capitão América contra os piratas do Golfo do Eden”. Belo título para uma superprodução protagonizada por Obama. As guerras nunca são simpáticas. Mas digam lá se esta não é para nos sentarmos na primeira fila? Ainda por cima temos uma fragatazinha por ali, que até pode dar uma perninha. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:21
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