Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Não sou economista mas julgo que percebi isto da ameaça de deflação. Os preços baixam, o que é bom. As pessoas não compram, o que é mau. Os preços voltam a baixar, o que continua a ser bom. A gente continua a não comprar, o que é ainda pior. E assim sucessivamente até que a economia estagna, e isso é péssimo. Ninguém me explicou como isto acaba: se com guilhotinas em cada rotunda de Portugal se com uma comissão parlamentar a estudar as medidas a tomar. No entanto, comecei a pensar no assunto e tenho algumas ideias para combater a deflação. A ausência de consumo deve ser interrompida. Não é nada de novo. Todos os natais têm um enorme movimento comercial impelido por uma obrigação moral de dar prendas. Obviamente não podemos instaurar o Natal todos os dias do ano. Mas podemos apelar a um consumo organizado e patriótico. Por exemplo, um dia declaramos o dia das peúgas. Todos os residentes em Portugal têm de comprar um par de peúgas. Pronto, safamos a indústria das peúgas por uns tempos. Podemos fazer o mesmo fazer com outros produtos baratinhos todos os dias. Hoje o dia da panela, amanhã o da vassoura, depois o das cuecas, e assim por diante. As classes mais favorecidas podem contribuir com artigos mais caros nos dias respectivos: o dia da Cartier, o dia do sapato, o dia do quilo de carne ou do linguado, etc. As classes ainda mais favorecidas que as classes favorecidas podem cobrir os sectores mais infraestruturais. Em Maio têm de comprar um carro montado em Portugal. Em Junho um T3 na Reboleira ou um T0 na Quinta da Marinha, não é preciso dizer que estão obrigados a comer quatro dias por semana em diferentes restaurantes de preços diversos: duas vezes numa tasca, duas numa marisqueira e uma num restaurante tipo Gamba Mar ou Gambrinus. Julgo que não é pedir muito. Uma boa publicidade a esta obrigação cívica e tenho a certeza de que o patriotismo português falará mais alto que a deflação. Que é uma coisa de estrangeiros. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:23
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