Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

O fim-de-semana foi monopolizado pela famosa gravação de Charles Smith a dizer coisas feias sobre o nosso primeiro-ministro. Sei que toda a gente falou deste reality-show, mas não isso é desculpa para eu não falar dele. O primeiro pensamento que me veio à cabeça foi que não é bom trabalhar com empresas inglesas. Como sabem foi um novo administrador da Freeport, chamado Alan Perkins, que gravou a conversa. Qual não seria a nossa opinião se um chefe nosso gravasse fosse o que fosse no nosso local de trabalho? Os melhores momentos que temos no emprego são essas conversas descontraídas com os nossos superiores. Eles querem convencer-nos de que são bons e compreensivos. Nós, que somos bons, leais, sinceros, competentes, honestos, inteligentes e que só pensamos em fazer o melhor para empresa, que tão generosamente nos paga pela nossa humilde e imerecida contribuição em tão maravilhosa organização. Que nos gravem nesses momentos de intimidade e lambidas é pior que apanhar a nossa própria mãe em flagrante adultério. Está bem que está muito bem filmado, mas isso não é desculpa. Por outro lado, não acredito que Charles Smith seja inglês. Acho que é um português na clandestinidade. Por exemplo, se suspeitassem de estarmos a desviar dinheiro da empresa, a primeira explicação que daríamos seria que tinha sido por um bem maior, que devíamos ser reconhecidos pela nossa dedicação. Suponhamos que em vez de Charles Smith temos o Carlos Silva, um português administrador de uma multinacional que fabrica preservativos. Vem um manda-chuva da central e acusa-o de gastos não justificados. Porém, o nosso tuga conseguiu instalar uma máquina de venda de preservativos em todas as igrejas católicas de Portugal. Ele vai dizer que teve de compensar a colaboração do Cardeal Patriarca, dos seus assessores, dos párocos das igrejas por esse país fora. Esta informação faz com que os abusos sejam inverificáveis. Depois, para seu mal, o Cardeal Patriarca é nomeado Papa. A Opus Dei começa a investigar e grava a explicação dada pelo empreendedor português, e a pequena mentira torna-se um problema de consequências teológicas mundiais. Não digo que isto se aplique ao Freeport, mas, já que toda a gente especula, acho que também posso especular. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:29
Comentar

Arquivo do blogue
Subscrever feeds
blogs SAPO