Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Parece que a proposta sobre sigilo bancário apresentada pelo Bloco de Esquerda e viabilizada na generalidade pelo Partido Socialista na semana passada no Parlamento vai levar a que apenas os contribuintes individuais tenham as suas contas bancárias sob escrutínio do fisco. As empresas ficarão com um regime que as protege mais do que a lei actual, não podendo a Direcção-Geral dos Impostos aceder às suas contas sem a autorização de um tribunal. Dito de outra maneira, se a lei vai como chegou, as pessoas singulares como eu e muitos outros não menos singulares, vão ficar bancariamente nus aos olhos dos agentes fiscais. Os especialistas atacam a falta de rigor e trapalhice ao Bloco de Esquerda. Outros ou os mesmos acusam de ligeireza o Partido Socialista. Eu não concordo. Acredito que o Bloco de Esquerda fez o seu melhor ao fazer esta lei. É certo que saiu mal mas quem no Bloco julgou alguma vez que a lei ia ser promulgada? Ninguém. Tantas negas tiveram que já não estavam à espera de alguém os apoiar fosse em que proposta fosse. O PS, pelo seu lado, e como estamos em época pré-eleitoral, quis ganhar uns votos à sua esquerda e apoiou a tal lei bloquista. Mas, como não são parvos, deixaram andar assim como estava. Agora a lei vai ter de ser revista pelos experientes legisladores socialistas, que deixarão, como não podia deixar de ser, o seu cunho pessoal. A lei será promulgada com as correcções e todos vão ficar contentes. O Bloco porque finalmente uma lei deles passou na Assembleia. A oposição porque as emendas serão do gosto de todos. Os socialistas porque ficaram muitos bem vistos pela esquerda não comunista e lá fizeram a sua própria lei, e com o bónus extra de ganharem uns votos canhotos por terem sido abrangentes e abertos ao diálogo com a esquerda não socialista. Isto se ainda há alguma. Uma jogada de mestre. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:47
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