Sexta-feira, 24 de Abril de 2009

A Autoridade da Concorrência diz que não encontrou sinais de cartelização na formação dos preços dos combustíveis no relatório sobre o sector que foi entregue na Assembleia da República. O conteúdo do relatório final segue os três relatórios preliminares, em que a Concorrência defendia que não havia cartel e que os operadores se limitam a seguir os preços uns dos outros. Penso que esta decisão devia fazer jurisprudência. Vista assim, a OPEP não é um cartel dos produtores de petróleo. Os cartéis da droga também não. Julgo que é bonito e humanista ver as coisas como a Autoridade da Concorrência. De repente, podemos ter uma redefinição das más palavras do capitalismo como por exemplo “monopólio”. Em vez de o catalogarmos como um privilégio de exclusividade, podemos redefini-lo como a excelência de um produto ímpar cuja concorrência nunca pode ter a menor hipótese de superar ou substituir. O dumping não seria uma forma desleal de concorrência no mercado. Seria apenas uma intervenção social para diminuir os preços de um mercado abusador. O lay-off deixaria de ser uma forma de pressão dos patrões com a interrupção da produção ou a distribuição de produtos para ser uma forma de descanso obrigatório do patronato aos seus trabalhadores. Enfim, as possibilidades de perceber com carinho e tolerância a realidade introduzida pela Autoridade da Concorrência são infinitas. O adultério até podia ser uma forma de expressão do amor que sentem os homens e as mulheres por outras pessoas carenciadas que não tem laços legais ou publicamente estabelecidos com os adúlteros. A fraude do Banco Privado Português não seria mais que um excesso de preocupação com os lucros dos seus clientes e associados e que deu para o torto por causa da ousadia filantrópica dos seus administradores. É bom saber que ainda há pessoas boas que querem tornar este mundo melhor. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:48
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