Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Não quero ser chato mas tenho a sensação de que a União Europeia ou não sabe como ocupar o tempo ou tem problemas em distinguir a importância dos problemas. É como uma espécie de suplementos dos jornais de sábado e domingo, em que se fala de coisas mais ou menos actuais, mais ou menos importantes, mas sempre interessantes para os leitores de fim-de-semana. Por exemplo, ontem a Comissão Europeia chamou os ministros da Saúde para uma reunião de urgência face aos crescentes receios de uma pandemia de gripe suína, após o vírus ter morto 103 pessoas no México e ter alastrado para os Estados Unidos e Canadá. A tal gripe está a espalhar-se pelo mundo, não há dúvida. Mas é uma gripe. E, ainda por cima, tem cura. Há muitas doenças por esse mundo fora e que não têm cura que nunca mereceram uma convenção ministerial por parte da União Europeia. Lembro-me do Dengue, uma doença infecciosa muito popular na América do Sul, por exemplo, que neste ano matou o dobro de esta gripezinha e que ainda não tem cura. Já que a União Europeia gosta de fazer campanhas a favor da saúde das pessoas, o Dengue devia ter tido direito a uma convocação similar. Por outro lado, a já clássica incapacidade europeia para tomar decisões em conjunto, não auguram nada de bom. Os países de comedores de porcos compulsivos farão uma declaração a impedir que se ataque a dignidade dos suínos, outros haverá que acham uma ingerência na política interna e não faltarão aqueles que para evitar a gripe suína se proponham como alternativa ao México como destino turístico. No meio disto tudo, a indústria farmacêutica terá uma promoção de fazer inveja a Eduardo Galeano e ao seu livro “As veias abertas de America Latina”. Em questões de promoção, só a União Europeia pode competir com Hugo Chávez e Barack Obama. Mas pelo sim, pelo não estejam atentos ao medicamento que os génios de Bruxelas recomendam. É de certeza bom. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:11
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