Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Segundo o Jornal de Notícias, várias esquadras do país estão a impor "números-base" de detenções a fazer até ao fim do ano. Os polícias queixam-se de que assim só trabalham para as estatísticas. A Direcção da PSP prefere falar em prevenção da criminalidade. Isto faz parte do velho problema de como se podem valorizar certas profissões em que os resultados não são exactamente um parâmetro sólido. Um médico poderá ser avaliado pelo número de pacientes que cura? Nesse caso os traumatologistas seriam médicos melhores, muito acima da média. Tratar ossos fracturados deve ter um índice sucesso muito maior que os pobres diabos de oncologia. Quanto se safam com um bom cancro à maneira? No caso dos polícias, há algo similar. Por isso há sectores da Polícia que alertam que este tipo de avaliação leva a que "a quantidade se sobreponha à qualidade". Era como só tratar de ossos e esquecer os cancros, porque estes últimos poucas vezes acabam bem. Sem querer interferir com as chefias das nossas forças de segurança, tenho algumas ideias que talvez possam ajudar. A ideia da quantidade de detenções deve ser posta de parte e deve antes ser feita uma valorização por pontos dos crimes. Por exemplo, apanhar um corrupto, banqueiro, político ou empresário, valeria tantos pontos quantos os euros desviados, a função que o corrupto ocupa e se era condenado em tribunal. Esse seria o pleno. Um caso assim valeria, sei lá, vinte ladrões de galhinhas, quinze roubos com uso de violência, o carjacking (podia ter meio ponto de bónus por estar muito na moda) e assim por diante. Mas, claro está, a pontuação é acrescida, repito, sempre e quando o tribunal os condene. Em caso de inocência, os polícias perdem pontos. O jackpot seria apanhar um homicida, que roubou muito dinheiro, ocupava um cargo administrativo e era parte dalgum dos órgãos de soberania. E fosse condenado, claro. Nesse caso, o responsável pela detenção passava directamente a chefe da polícia e era proposto para canonização no Vaticano. Com tamanhos incentivos, julgo que as forças de segurança vão mostrar trabalho. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:05
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