Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Já começamos a ter as típicas imagens das actividades dos políticos, que impacientes pelas campanhas eleitorais, servem para mostrar as suas energias e qualidades. Algumas já fizeram história como as de Paulo Portas nas feiras, Marcelo Rebelo de Sousa a nadar no Tejo, a decisiva visita de Mário Soares à Marinha Grande e assim por diante. Mas os tempos mudam e certas modas vieram para ficar. Participar em actividades desportivas é uma delas. Nunca teríamos imaginado Sá Carneiro a correr uma meia maratona ou Eanes de calções curtos a andar de bicicleta. Agora quem não faz de conta que tem uma veia atlética não pode ambicionar dirigir os destinos do nosso país. O que é o mesmo que dizer que quem tem medo do ridículo não é digno de pertencer a nenhum órgão de soberania, por mais paradoxal que isto possa soar. Alberto João Jardim é, neste aspecto, imbatível. Contudo, há uma tendência para tornar tudo mais difícil. Já ninguém vai lá com corridas inocentes ou passeios ecologistas pacíficos. É preciso dar provas de uma certa temeridade. Há menos de um mês, tivemos a sorte de ver Francisco Louçã a fazer rafting. O rafting é um desporto que não sendo de ricos, também não se pode dizer que seja uma actividade proletária. É preciso ter tempo, um barquinho de borracha, um fato a condizer, amigos, um todo-o-terreno para se aproximar da nascente do rio e gente disponível para nos ir buscar no fim da aventura. Mas no fundo o mais complicado é ficar bem no fato da actividade. O fato de borracha é parecido com aquele que os mergulhadores usam mas é menos digno. Em vez da máscara tem um capacete. Também os tubos de oxigénio dão seriedade e, ainda por cima, só nos podem ver em acção outros mergulhadores que estão tão ridículos como nós. Só os peixes gozam connosco. O rafting não é tão discreto e o fato não fica bem nem ao Brad Pitt. O Louça, que se não fosse político podia ter sido top-model, alto, magro com cara de pastor calvinista e puritano, ficava esquisito de raftingueiro. Mas pronto. Era um grau aceitável na escala do grotesco. Mas quando no sábado vi Vital Moreira com o mesmo fato de rafting a mostrar a esquerda revolucionária que ele também pode, o ridiculómetro explodiu. Julgo que até o próprio capacete estava encarnado de vergonha. Nem sei como os jornalistas que testemunharam a façanha mantiveram a cara séria. A partir de agora, sempre que vir o homem, vou lembrar-me daquele fato borracha e do capacete envergonhado. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:46
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