Terça-feira, 5 de Maio de 2009

A imprensa portuguesa anda muito enganada. As notícias que interessam ao povo português estão nos sítios errados. Basta ver as revistas cor-de-rosa ou sociais para perceber que não sabem escolher aquilo que interessa ler. Embora um número expressivo de portuguesas e uma minoria de portugueses possam achar graça aos divórcios, às operações ou aos namoros de algumas personalidades de questionável mérito, não vejo onde as publicações do género pretendem chegar. Podemos imaginar que os jornais em geral acabavam no dia em que não houvesse más noticias ou o futuro radioso fosse um presente perfeito. Mas as revistas do social quando acabavam? Mesmo num mundo perfeito haveria sempre diferenças sociais, mesmo que não passassem da beleza, elegância ou morte dos seus protagonistas mais fotografados. Para mim, isto significa que uma revista social não é mais que um diário familiar com um pouco mais de gente. Não vale a pena derrubar árvores para publicar uma coisa tão prescindível. Contudo, como não sou sectário, penso que estas publicações podiam continuar obcecadas com as mesmas personagens mas de uma outra perspectiva. Por exemplo, o Cristiano Ronaldo. Basta de saber da sua vida amorosa. Não seria melhor saber se não quer ir ao Real Madrid por causa da goleada sofrida ou porque o seu coração pertence ao Manchester? Eis uma pergunta do foro íntimo que tem interesse. O Pepe é outro exemplo. Perdeu a cabeça num jogo a que assistiam mais de trinta mil espectadores. Quantos chefes têm perdido a cabeça com subalternos apenas com a secretária como testemunha? É igualmente grave ou lá porque ganha muito não tem direito a passar-se? Outro exemplo. Há uma futura estrela do social que devia já ser entrevistada. É o prisioneiro sírio de Guantánamo que iniciou uma greve de fome para vir a Portugal. Não é, por acaso, um herói? Será que se vai habituar ao nosso cozido? Saberá apreciar o Gambrinus? Outra rubrica podia ser conciliadora. Organizar blind-dates com Sócrates e Manuela Moura Guedes ou Catalina Pestana e Paulo Pedroso. Enfim, posso dar imensas ideias para a imprensa cor-de-rosa e abrir-lhe o caminho a novos leitores. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:47
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