Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Humberto Rosa, Secretário de Estado do Ambiente, quer reduzir as coimas por infracções ambientais. A oposição e os ambientalistas caíram-lhe em cima e acusaram-no de fomentar a infracção. Parece-me exagerado. Ninguém deixa de roubar porque em vez de dez anos de prisão arrisca cinco. Não quero dizer que concorde com estes saldos das coimas contra o ambiente, mas não é por isso que haverá mais infracções. Humberto Rosa nega que tenha a ver com a crise, mas ninguém duvida de que uma coima menor na mão é melhor que muitas coimas enormes a pairar nos apelos nos tribunais. Claro que aceitar oficialmente esta explicação podia prejudicar outras decisões mais delicadas, como a intransigência fiscal nas coimas por atrasos de pagamentos ou de apresentação de formulários. No entanto, Humberto tem razão. As medidas alternativas podiam ser piores. Imaginemos que as custas de processos judiciais aumentavam para conter as apelações. Caramba! Isso já foi feito. Bem, imaginemos uma coisa ainda pior. Por exemplo, que os partidos políticos gastavam mais dinheiro nestes dias difíceis nas três eleições que estão por se realizar. Seria péssimo para os contribuintes e não era bonito de ver. Caramba, outra vez! Também já foi feito. Talvez vigiar os bancos para que não abusem com os novos empréstimos. Isto se os bancos emprestassem dinheiro, coisa que, segundo me parece, já não fazem com tanta frequência. Pensando bem, se calhar a única oportunidade para poupar algum dinheiro agora é fazer infracções ambientais. De facto, estão mais baratas. Se calhar, o que Humberto Rosa está a fazer é dar-nos uma possibilidade de nos aliviarmos desta penúria monetária. Embora poluir! Basta de papelões, pilhões e plastilhões! Embora fazer barulho ás quatro da manhã! Vamos caçar animais fora da época ou em vias de extinção, que está ao preço da chuva. Pena não termos pandas nem baleias no Minho. Era boa altura. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:37
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