Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

A Europa vai fazer “testes de stress” ao sector bancário até ao mês de Setembro. Os “testes de stress”, ou de resistência, pretendem determinar se os bancos têm capitais próprios suficientes para fazer frente à degradação dos balanços, em consequência da crise financeira. Parece-me óptimo que isto seja feito. O único senão é que deviam mudar o nome e ser um pouco mais criativos. Até a palavra “banco” foi roubada aos jardins da Florença dos Medicis. A economia, que ao contrário do que pensam as pessoas não é uma ciência da forma maneira que a psicanálise também não é, devia fazer um esforço para parecê-lo. A psicanálise ao menos teve a capacidade de desenterrar termos e atribuir-lhes novos significados. O inconsciente, por exemplo. Dantes era um termo só utilizado para uma pessoa que tinha um chilique ou um badagaio. Também podia ser usado quando alguém ficava a dormir depois de ter apanhado um ou vários socos. Os mais sofisticados conseguiam utilizá-lo como sinónimo de irresponsabilidade, como seria na época andar a cavalo com os copos ou disparar um arcabuz para o pé para ver se estava carregado. O mesmo devia passar-se com a Economia. Fala-se de “depressão” porque não há dinheiro nem trabalho. Ora estão deprimidos os que não tem dinheiro nem trabalho, não a Economia. Ela só está cá para dar umas dicas e lançar uns bitates. Agora os bancos têm “stress” para não dizerem que estão nas lonas. Não pode ser. Os economistas devem deixar de roubar termos a outras disciplinas que bom trabalho lhes custou a encontrar. Suponho que não ficavam nada contentes se lhes fizessem o mesmo. Por exemplo, os psicanalistas, em vez de descreverem uma pessoa como narcisista, passavam a dizer que tem um ego inflacionado e que era melhor controlar os seus investimentos. Ou, ao contrário, uma pessoa sem auto-estima passava a ser diagnosticada como alguém com o ego em deflação, que precisa de fazer circular os seus afectos porque senão está feito. Era uma confusão. Já que os economistas não foram capazes de prever a crise, pelo menos que mostrem trabalho e inventem palavras novas. Fora isso, tudo bem.



Publicada por Carlos Quevedo às 23:45
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